Desde terça-feira, o leitor da FOLHA acompanha uma série de entrevistas com os oito candidatos ao Senado pelo Paraná. Os temas das perguntas foram definidos pela equipe de Política da FOLHA e têm relação com o trabalho de um parlamentar em Brasília e com assuntos que renderam polêmica nos últimos meses no Congresso Nacional. As mesmas perguntas foram feitas para todos os candidatos, por telefone ou pessoalmente. Nenhum deles pôde previamente saber quais temas seriam tratados. Aos candidatos, foi solicitado que fossem objetivos em suas respostas. Algumas respostas foram reduzidas para adequação ao espaço disponível - possibilidade informada aos próprios candidatos antes do início das entrevistas.

Hoje, a pergunta é sobre a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras, que foi instalada no Congresso Nacional após tentativas do governo federal de impedir a investigação sobre prejuízos deflagrados com a aquisição de uma refinaria em Pasadena, nos Estados Unidos, por US$ 1,3 bilhão. A planta havia sido comprada, no ano anterior, por US$ 42 milhões.

Apesar de instalada, a CPMI é composta, principalmente, por apoiadores do governo federal e considerada por algumas pessoas como um jogo de cartas marcadas. Até a data das entrevistas, feitas entre os dias 23 e 29 do mês passado, pouco havia avançado.

A publicação da série continua na semana que vem, nos dias 19, 20 e 21.



Imagem ilustrativa da imagem Como o senhor avalia o trabalho, até agora, da CPMI da Petrobras?
| Foto: Gustavo Carneiro
Adilson Senador da Família (PRTB)Pelo que tenho analisado, ainda não houve nenhum avanço, não é? Teria de ser apurado de uma maneira mais rápida e concreta.
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| Foto: Ricardo Chicarelli
Luiz Barbara (PTC)Veja bem, eu trato essas questões, como venho da roça. Uma vez que você não fiscalizou, deixou de dizer à comunidade o que está acontecendo, foi coautor com relação a essa situação. Por exemplo, uma galinha que está chocando os seus ovos, se ela não cuidar, outra galinha vai lá bicar e vai comer esses ovos. A gente não tem como repor isso. O que aconteceu com a Petrobras eu não tenho como repor. Vai acontecer a CPI, vão achar alguém como bode expiatório, mas recuperar o dinheiro que foi perdido, e isso reflete lá na nossa saúde, a gente não vai recuperar mais. Então, a gente precisa de um meio de controle para que não esteja saindo dessa forma.
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| Foto: Divulgação
Marcelo Almeida (PMDB)Primeiro que não acredito em CPI do Congresso. O PT, meu partido, os tucanos, não tem mais santo. Não tem partido que signifique transparência, verdade, dignidade. Os partidos, hoje, um quer jogar no outro, todo mundo errou, todo mundo roubou. Um na Petrobras, outro fez um aeroporto, outro tem Pasadena. Eu não acredito nessa ferramenta que é a CPI.
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| Foto: Divulgação
Alvaro Dias (PSDB)É um fracasso total. Eu fui subscritor do requerimento, que foi oportuno propor a instalação da CPI. Ela cumpriu um papel de dar visibilidade aos fatos, contribuiu para colocar uma luz para que possa ser identificado e repudiado, manteve o escândalo na mídia por mais tempo. Mas, no que diz respeito à investigação, pouco produzirá, porque o governo dominou plenamente. A dominação é absoluta, diz respeito ao comando e a uma maioria esmagadora escolhida a dedo, impossibilitando qualquer dissidência. Então, é uma CPI de cartas marcadas, o governo utilizou bem o calendário, que é atípico. Em ano eleitoral, uma CPI como instrumento de investigação será uma grande decepção.
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Professor Piva (Psol)Eu acho que até agora tem sido um teatro. Essa comissão é um verdadeiro teatrinho e não passa disso. Praticamente ela foi montada com o domínio dos governistas. Ali só passa o que eles querem e já dá para imaginar como vai ser o final. É uma CPI que já foi montada prevendo qual vai ser o desfecho: favorável ao que o governo pensa.
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| Foto: Divulgação
Ricardo Gomyde (PCdoB)Eu acho que a Petrobras é uma companhia estatal que sempre foi defendida, inclusive naqueles momentos em que havia a hipótese de ser privatizada, e qualquer atitude lesiva aos interesses da Petrobras tem de ser punida, coisa essa que o Tribunal de Contas da União já se posicionou e há mecanismos de controle no país que não só os da Comissão Parlamentar de Inquérito que, na minha opinião, é meramente política.
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| Foto: Divulgação
Castagna (PSTU)A Petrobras é uma empresa que está num processo de privatização constante. No meu ponto de vista, não podemos confiar em CPI bancada por multinacionais, bancada pelos próprios acionistas da Petrobras. Os deputados, os senadores que estão aí, não têm nenhum compromisso com os interesses energéticos que o Brasil precisa, que é gasolina barata, gás de cozinha barato. O que nós temos visto, historicamente, nesse processo de CPI, é que tudo acaba em pizza.
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| Foto: Divulgação
Mauri Viana (PRP)O negócio da Petrobras... Estão tentando cassar um camarada que emprestou um avião de um amigo. Mas quem fez o Brasil tomar um prejuízo desse tamanho está impune. Não está nem se falando. É preciso rediscutir muito mais que a CPI da Petrobras, porque vai chegar no fim e vai dar no quê? Em nada, em pizza. É mais circo que uma ação concreta.