São Paulo - A presidente Dilma Rousseff prometeu ontem seguir uma tradição iniciada pelo seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, de participar todo ano da celebração de Natal dos catadores de lixo e moradores de rua até o fim de seu mandato em 2014.
Em um discurso de quase 30 minutos, a presidente falou de uma série de compromissos com os catadores como o debate contra a incineração de lixo e a luta contra a violência aos moradores de rua. Ela também lembrou do principal programa de seu governo, o chamado ''Brasil sem Miséria''. ''Nós estamos querendo acabar com uma coisa que vem desde a escravidão, que é uma visão de um país feito para poucas pessoas. De cidadão de primeira classe, cidadão de segunda classe ou de cidadão de classe nenhuma'', disse Dilma.
Durante oito anos de seu mandato, Lula participou da celebração. Neste ano, ele não veio por conta do tratamento contra o câncer na laringe. A quimioterapia foi finalizada no sábado passado. ''A atividade do catador é uma atividade empresarial como qualquer outra'', disse Dilma.
Segundo a presidente, o principal compromisso de seu governo é de que a população mais pobre tenha direitos iguais ao de todos. Ela ainda afirmou que mandará um grupo de ministros para verificarem o que aconteceu com os atingidos por um incêndio em uma favela da região central de São Paulo na manhã de ontem.
Durante a apresentação, a presidente chamou o padre Júlio Lancellotti, que é conhecido pela atuação entre moradores de rua, de ''Lúcio''. O ato também foi marcado pela vaia que o ministro Fernando Haddad (Educação), pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, ouviu durante sua entrada no palco, o que gerou certo constrangimento. O evento aconteceu na quadra do Sindicato dos Bancários de São Paulo, tradicionalmente ligado ao PT.
Já o secretário do Meio Ambiente de São Paulo, Bruno Covas, pré-candidato do PSDB à prefeitura, foi aplaudido por parte da plateia. Apenas os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Marta Suplicy (PT-SP) receberam mais aplausos.
Marta declinou da candidatura em favor de Haddad, preferido de Lula.

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