Como funcionou a ''Lavagem''
Veja como foi o esquema de lavagem dos precatórios no Paraná,
de acordo com as investigações da CPI dos Títulos Públicos:
1- A CPI diz que R$ 7,5 milhões do esquema IBF - a factoring de Fausto Solano Pereira, responsável pela comercialização dos precatórios emitidos pelos governos de Santa Catarina e Alagoas - desaguaram no Paraná.
2- A pedido de alguém (que pode ser uma autoridade pública) ou de mais pessoas que ainda não foram detectadas nas investigações, parte dos R$ 7,5 milhões - o equivalente a R$ 3,6 milhões - foi lavada na agência do Banco do Brasil no Alto da Rua XV, através de saques na boca do caixa, feitos pela Transoceânica Passagens e Turismo e Transcorp Distribuidora de Títulos Imobiliários, entre 24 e 31 de outubro do ano passado.
3- Os proprietários Gerard Fuchs e Ernesto de Veer, da Transoceânica e da Transcorp, mantinham contas no BB em nome de cinco empresas fantasmas. Quatro delas já reveladas pela CPI: Asempre Consultoria e Assessoria Empresarial; Dorbon Administradora de Bens e Serviços Ltda; KWO Administradora de Bens e Participação; e WP Comércio de Cereais Ltda. As contas eram manipuladas por dois funcionários da Transoceânica, Altair Bora e Erich Fuchs.
4- A CPI diz que a prova da conexão com as fantasmas são cinco procurações assinadas pelos proprietários da Transoceânica e Transcorp - eles são sócios nas duas empresas -, onde o BB fica autorizado a efetuar migrações financeiras de uma conta para outra. Baseado no depoimento do ex-gerente do BB do Alto da Rua XV Silviano Câmara Neto, Requião acusou o então superintendente Ernesto Capozzi de conivência. Capozzi responde extra-oficialmente hoje pela vice-presidência do Banestado.
5- O funcionário do BB Silviano Câmara Neto e o também ex-gerente da agência do Alto da XV Nilson dos Santos são acusados de terem facilitado a abertura das contas, cujos titulares são pessoas humildes como o eletricista de Goioerê, Valdir Antonio Felesmino, surpreendido com a inclusão do seu nome no esquema. Santos desligou-se do BB para abrir uma factoring, vinculada ao grupo Transoceânica. Câmara Neto responde hoje por uma das gerências do BB no bairro Portão.
6- Kleinubing diz que pelo menos R$ 450 mil lavados no Paraná tiveram um destino já apurado. A Transcorp fez o depósito, através da corretora Divalpar, para a conta de José Carlos Galloti Blauth, primo do ex-secretário da Fazenda do governo de Santa Catarina Paulo Prisco Paraíso, acusado de ser um dos mentores da emissão de títulos. Blauth, que tem um escritório em Curitiba, não revela o destino do depósito.
7- Além das transações bancárias, a CPI acredita que o grupo Transoceânica comandou lavagens através de trocas cambiais. Para burlar as exigências do Banco Central, o grupo teria usado identidade e CPF (Cadastro de Pessoa Física) de laranjas aleatoriamente, para legalizar a transação. O caso da funcionária do governo Arlete Dias de Moraes foi o único tornado público. O CPF de Arlete teria sido usado sem consentimento dela. O BC investiga outros 80 casos semelhantes.
8- Os outros R$ 3,9 milhões - dos R$ 7,5 da IBF - foram enviados, de acordo com a CPI, para o exterior, via Paraguai. Acredita-se que as transferências monetárias tenham sido feitas através de contas correntes do tipo CC5. As poucas exigências para a abertura desse tipo de conta teriam facilitado as remessas do dinheiro para o estrangeiro. Kleinubing acredita que muitas delas seguiram para contas de administradores públicos.





