Com licitações fraudulentas na AMA e na Comurb, o dinheiro público era depositado nas contas de empresas, algumas fantasmas, e depois voltava para os beneficiários. Os donos das empresas colaboradoras recebiam de 10% a 20% do valor total das licitações
Na ação criminal impetrada pelo Ministério Público (MP), os promotores relatam que por ‘‘determinação de Antonio Belinati e de seus secretários Gino Azzolini Neto e Wilson Mandelli, os diretores da Comurb e da AMA ordenavam a funcionários de escalão inferior, a montagem de processos licitatórios falsos, destinados a acobertar os pagamentos feitos às empresas e empresários colaboradores, nos quais as empresas deveriam constar como vencedoras, de modo a conferir aparência de legalidade’’.
O esquema é confirmado em depoimentos tomados pelo MP do ex-diretor administrativo-financeiro da extinta Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), Eduardo Alonso; dos ex-presidentes e diretores da Autarquia do Meio Ambiente (AMA), Nelson Kohatsu e Mauro Maggi; e do ex-presidente da comissão de licitação da autarquia, Edson Alves da Cruz. Além deles, participaram do desvio de dinheiro público da prefeitura de Londrina empresários, funcionários públicos e ‘‘laranjas’’.
Estima-se que o rombo possa chegar a R$ 200 milhões.
Os ex-diretores da AMA e Comurb relataram que recebiam ordens para levantar o dinheiro. De acordo com Alonso, antes dessa etapa, os recursos do Conselho de Gestão Financeira (Cogefi), criado para gerir os R$ 186 milhões obtidos com a venda de 45% das ações da Sercomtel para a Copel, eram transferidos para o caixa da prefeitura. Na sequência, o dinheiro era transferido para o Fundo Municipal de Urbanização, que pagava os contratos fraudulentos.
Nas licitações, realizadas na modalidade carta-convite, as empresas frias, fantasmas e até algumas idôneas eram usadas para a emissão de cheques. Os recursos desviados eram devolvidos aos responsáveis pelo esquema. Na maioria das vezes, os recursos voltavam em dinheiro. A comissão para os empresários e outros colaboradores variava entre 10% e 20%, dependendo do grau de proximidade que mantinham com os responsáveis pelos desvios.
Após a saída do dinheiro, a comissão de licitação da AMA e da Comurb iniciava a montagem dos processos licitatórios e dos contratos. Parte dos contratos apreendidos pelo MP na Comurb ainda estava em fase de elaboração. Os diretores assinavam os contratos, que depois eram homologados pela Secretaria de Governo.
De acordo com os depoimentos, parte do dinheiro foi usado para cobrir custos da campanha eleitoral de 1998 e despesas pessoais dos envolvidos.

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