Como funcionava o esquema
Curitiba - Conforme as investigações feitas pelo Ministério Público Estadual e Federal, a fraude na Banestado Leasing acontecia da seguinte forma: as empresas que não tinham condições de oferecer as garantias exigidas para a contratação dos financiamentos acionavam o consultor empresarial apontado nas ações para interceder junto a funcionários da Leasing e receber as verbas do órgão.
Dois funcionários da Leasing completavam o esquema: um gerente da Divisão de Negócios e um gerente do Departamento de Operações da estatal. Ainda segundo a denúncia, o consultor seria o responsável por repassar o pedido de financiamentos aos dois ex-gerentes.
Os financiamentos eram liberados sem que as empresas preenchessem as regras para aprovação de cadastro. E como essas empresas não tinham capacidade financeira para quitar os financiamentos, a Leasing acabou ficando no prejuízo.
Na avaliação da Promotoria e da Procuradoria, o prejuízo poderia ter sido evitado se os diretores da Leasing tivessem cumprido à risca os trâmites legais para a assinatura dos contratos. O total dos desvios pode alcançar R$ 344 milhões.
As fraudes foram cometidas entre o final do ano de 1995 e o início de 1996,
quando a Banestado Leasing era administrada por Osvaldo Magalhães dos Santos, o filho do ex-deputado federal Joaquim dos Santos Filho que morreu num acidente automobilístico em 1998.
As 33 empresas beneficiadas pelo esquema teriam sido responsáveis por um prejuízo mínimo calculado em R$ 226 milhões. Como as investigações não estão concluídas, o Ministério Público Federal estima que este valor pode chegar a R$ 334 milhões.
A cifra, no entanto, foi calculada na época da descoberta das fraudes, quando as moedas brasileira e norte-americana tinham valor equivalente. Considerando a atual cotação do dólar em R$ 3,40, o prejuízo aos cofres públicos estaria entre R$ 768 milhões e R$ 1,1 bilhão.
A Banestado Leasing compunha o Conglomerado Banestado. Portanto, essa dívida teve que ser assumida pelo governo estadual quando o Banco do Estado do Paraná foi privatizado, em outubro de 2000. Isso quer dizer que a conta ficou para os paranaenses.





