Como em 74, Leite Chaves usará pistonista para animar comício
Celso PachecoRomantismoLeite Chaves pretende fazer campanha com emoção, justiça social e contra a corrupçãoO ex-senador Leite Chaves (PMDB), 69 anos, pretende repetir este ano um hábito de sua campanha de 1974, quando fez 1,25 milhão de votos pregando, pelo MDB, sua oposição à ditadura militar. Naquela época ele discursava e levava um pistonista junto. A música era Serenata, de Schubert. Nesta campanha, o pistonista será, mais uma vez, aliado do candidato que disputa uma vaga na Câmara dos Deputados. Um pouco de romantismo não faz mal a ninguém, explica. O novo repertório ainda não está escolhido.
Nos velhos tempos, Leite Chaves conseguia arrancar emoção do público que ia ouvi-lo falar das atrocidades da ditadura. O povo chorava, lembra, saudoso. Ele também se emociona ao recordar a campanha, mas sabe que o discurso e o eleitor mudaram com o processo democrático. Ainda assim espero continuar emocionado porque numa campanha você convence o eleitor não com a lógica e sim com as emoções e é preciso pelo menos criar uma motivação para as gerações futuras, defende.
O ex-senador diz que pretende retomar uma nova bandeira. A de representar digna e qualificadamente o cidadão, defendendo a justiça social e o combate à corrupção, discursa. Como orador, ele impressionou a direção do Banco do Brasil na década de 50, no Rio de Janeiro, quando discursou sobre A evolução dos símbolos através dos tempos. Já era formado em Direito, mas não exercia a função no Banco, onde trabalhava. O discurso fez Leite Chaves ser nomeado advogado do BB.
Desde aquela época ele apostava que teria futuro. Tanto que deixou a Paraíba, em 1954, por achar que lá não dava nada, não. Cinco anos depois, mudou-se para Londrina, transferido pelo Banco, onde iniciou uma nova etapa: a de empresário. O primeiro shopping do Estado foi construído por ele, em 1973. Em 1974, fazia sua primeira campanha para o Senado, onde ocupou mandato de 1975 a 1983. Depois disso dedicou-se à advocacia e tem orgulho de dizer que teve 5 mil casos.
OpiniãoDuque: Sem nenhuma falsa modéstia, estou saindo candidato para me eleger em todo o EstadoEm 1986, Leite Chaves foi nomeado procurador-geral da Justiça Militar, cargo que exerceu por pouco mais de um ano. Ele não se acanha de ter ocupado uma função dessas. Já estávamos no governo Sarney, no processo de democratização, argumenta. Ele conta ter reaberto o caso Rubens Paiva e acredita que o trabalho foi fundamental para garantir, no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, o pagamento das indenizações às famílias dos mortos e desaparecidos políticos do regime militar.
Leite Chaves voltou ao Senado em 1987 ao assumir a primeira suplência - Álvaro Dias havia deixado o cargo para candidatar-se ao governo do Estado. Entre os projetos que ele propôs e se transformaram em lei estão a que torna impenhorável a casa própria, a emenda da impenhorabilidade do imóvel rural familiar, a lei que isenta o agricultor do pagamento da Nota Promissória Rural e o dispositivo constitucional que condiciona a promoção ao juiz que esteja em em dia com os processos.
São projetos que vou lembrar nessa campanha, propagandeia. Entre as armas para o processo eleitoral deste ano estão a defesa da decência pública e o combate à corrupção.
Um dos principais alvos será a briga pela eficiência dos serviços do Estado. Ele acredita que é possível modernizá-lo e dotá-lo de padrões internacionais. O ex-senador diz que pretende incluir mudanças na já aprovada Reforma Administrativa que prevê demissão de servidores quando União, estados e municípios gastarem mais que 60% das receitas com a pagamento de pagamento de pessoal. Quero propor a manutenção do emprego daqueles que atendem bem, garante.
Segundo ele, é inadmissível o cidadão seja desrespeitado quando procura qualquer repartição pública. É preciso boa vontade, mas também uma cursos de qualificação profissional para melhorar esse atendimento, prega. Ele lembra que existe até lei (não cumprida) que prevê prisão para servidor público que atender mal o público. (P.Z)





