Comitês em Cascavel ignoram candidatos à Presidência
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sexta-feira, 02 de outubro de 1998
Paulo Pegoraro 
Comitês de candidatos a governador e deputado, outdoors e mesmo o trabalho de rua de pessoas contratadas para distribuir propaganda, em Cascavel, praticamente ignoram as candidaturas a presidente da República, principalmente as que nas pesquisas aparecem inferiorizadas em relação a Fernando Henrique Cardoso (FHC). A maioria dos candidatos a deputado também não usa santinhos com nome de candidato a presidente.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é lembrado basicamente pelos candidatos de seu partido. Os demais, da mesma coligação no plano estadual, geralmente limitam-se a citar o candidato ao governo Roberto Requião (PMDB). No comitê central de Requião há um grande painel com duas fotos suas, mas nele o nome Lula não aparece. O PSDB tem um comitê principal, no qual externamente também não há propaganda fixada de FHC.
O presidente tem sua campanha à reeleição coordenada por comitê conjunto com o do governador Jaime Lerner (PFL), que também busca reeleição. O coordenador geral, Arnaldo Curioni (secretário municipal de Finanças) estima que iremos além dos resultados da eleição de 94. Naquele ano, FHC fez 43% dos votos e Lula 20% - o gaúcho Leonel Brizola (PDT) obteve apenas 5%, embora Cascavel tenha parte considerável da população oriunda do Rio Grande do Sul.
Os candidatos a deputado não dão pouca atenção aos candidatos a presidente apenas por infidelidade em relação às coligações. Eles procuram centralizar tudo em seus próprios nomes, deixando que o eleitor faça sua própria opção presidencial, para não atraírem rejeição, sabendo que a disputa é pesada: há em Cascavel sete candidatos a federal e sete a estadual, disputando pouco mais de 149 mil votos.
Historicamente, Cascavel não elege mais que dois federais e dois estaduais, e na última eleição foi apenas um em cada cargo. Este ano houve melhor estruturação da campanha Voto Útil, liderada pela Associação Comercial e Industrial, cujo presidente, Pedro Boaretto, acha possível triplicar o número de eleitos. A campanha tenta convencer os eleitores a não dar votos a candidatos de outras regiões, e oferece brindes e até obras públicas (da prefeitura) para bairros que forem mais fiéis.


