Um comitê suprapartidário tentou encaminhar ontem um documento-denúncia na Câmara de Apucarana, requerendo a abertura de uma CPI para apurar supostas irregularidades na administração do prefeito Carlos Scarpelini (PSDB). O presidente da Casa, vereador Valdir Sousa da Silva (PPB), alegando cumprir o regimento, argumentou que o documento deveria dar entrada na secretaria da Casa e que somente após passar pela Comissão de Justiça e Redação, poderia ser discutido em plenário.
Diante da insistência dos vereadores de oposição (6 de 17) para que o documento fosse lido, e com o barulho das manifestações de apoio do público no plenário, Silva decidiu encerrar a sessão, sob vaias, sem colocar o assunto em pauta. Como forma de protesto, cerca de 150 pessoas cantaram o Hino Nacional.
Em seguida, o grupo saiu em passeata até o Fórum, a três quadras, onde o documento foi entregue nas mãos do promotor Eduardo Matni. líderes do comitê insistiram para que o MP apure com rigor e urgência as denúncias. O vereador Satio Kayukawa (PFL) cobrou do MP diversos documentos que já foram requeridos e que, expirado o prazo de 15 dias, não foram entregues pelo prefeito.
As denúncias relacionadas no documento do comitê surgiram através de folhetos anônimos que circularam na cidade em 1998 e que, há mais de um ano, já estão sendo investigadas pelo Tribunal de Contas do Estado e pelo MP. O documento recebido por Matni é subscrito pelo Diretório Municipal do PT, cinco sindicatos ligados à CUT, pela União dos Mutuários e de Moradores de Apucarana (UMMA), Pastoral da Juventude e Paróquia Coração Eucarístico.
Também endossam a denúncia os diretórios locais do PST, PSL e PSC, todos atrelados ao PFL local, que faz oposição a Scarpelini. Laurita Bertoli, presidente da UMMA, anunciou que o comitê irá reunir-se uma vez por mês. ‘‘Vamos fiscalizar a conduta dos vereadores e cobrar mais empenho do Ministério Público’’, afirmou.
Do documento constam, conforme revelou o promotor, denúncias por contratações irregulares, uso de dinheiro da prefeitura com despesas particulares de familiares de Scarpelini, um número excessivo de diárias para secretários e gastos com o Apucarana Futebol Clube. Segundo Matni, todas essas supostas irregularidades já estão sendo alvo de investigações do MP em duas frentes, em Apucarana (Civil) e Curitiba (Criminal).
Em sessão da Câmara, na semana passada, vereadores da oposição já haviam tornado público um relatório em que técnicos do TC emitiram um parecer, considerando irregular gastos de R$ 1,7 milhão feitos por Scarpelini. Eles opinaram pelo ressarcimento do dinheiro aos cofres públicos. A decisão é preliminar e deve ser submetida ainda às instâncias superiores do próprio TC, sendo que Scarpelini têm direito a recurso e apresentação de documentos.
Procurado ontem pela Folha, o prefeito Carlos Scarpelini disse que não tem nada o que temer. Segundo ele, todos sabem de onde partiram as denúncias anônimas contra a sua administração. ‘‘Agora esse mesmo adversário que forjou denúncias em panfletos apócrifos, tenta criar uma nova ferramenta para a sua campanha, na sua desesperada tentativa de voltar à prefeitura’’, comentou.

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