Comitê registra aumento de denúncias
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
O ''Comitê 9840 - Eleitor Consciente'' registrou um aumento de denúncias de irregularidades nas eleições municipais nos últimos dias. De acordo com o coordenador da entidade, o advogado Luis Hasegawa, o crescimento é compatível com o aumento das irregularidades no período que antecede as eleições. O ''Comitê'', formado por entidades da sociedade civil como OAB, Igreja Católica e Acil, foi criado para auxiliar no cumprimento da Lei 9.840/99, que prevê a cassação de registro de candidatos que praticam crimes eleitorais.
Desde o último final de semana, a reportagem da FOLHA tem flagrado diversos casos de propaganda irregular nos principais cruzamentos de Londrina.
''A gente tem percebido esse aquecimento sim. E a tendência é aumentar nessa última semana. O brasileiro sempre deixa tudo para a última hora e nas eleições também é assim'', afirmou. Segundo Hasegawa, há suspeita de que candidatos que optam pelo oferecimento de dinheiro aos eleitores possam ampliar a prática nesta semana.
O ''Comitê'' já encaminhou para a Justiça Eleitoral 30 denúncias de irregularidades desde o início da campanha - 25 são provenientes de Londrina e cinco de municípios vizinhos. A propaganda irregular é reponsável por 66% das queixas - e a tentativa de compra de votos e uso da máquina administrativa pública respondem pelo restante das denúncias.
O volume surpreendeu negativamente o coordenador. ''É claro que a gente queria uma eleição limpa, sem denúncia nenhuma. Mas, pelo que vemos de coisa errada, é um número até pequeno.'' Segundo Hasegawa, o brasileiro ainda peca por ser acomodado e descrente da aplicação das penas correspondentes às irregularidades.
''Temos que mudar isso. A população precisa fazer a parte dela e não se conformar. Se alguém tenta comprar seu voto, arrume uma testemunha e faça a denúncia para a gente se livrar desse tipo de política''.
A reportagem da FOLHA entrou em contato com o promotoria responsável por propaganda irregular, mas não obteve retorno. As outras denúncias encaminhadas ao órgão pelo ''Comitê'' estão sendo analisadas caso a caso.
De acordo com a promotora Solange Vicentin, da 42 Zona Eleitoral, a falta de indícios concretos de compra de votos e uso da máquina tem dificultado a fiscalização.


