Comitê diferencia gastos do governo
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terça-feira, 14 de julho de 1998
Leandro Donatti 
O Movimento Paraná Segue em Frente, de apoio à reeleição do governador Jaime Lerner (PFL), está montando uma estrutura paralela à do governo para dar suporte financeiro à sua campanha e à dos demais candidatos da coligação à Assembléia Legislativa e Câmara Federal. De olho na legislação eleitoral, os lerneristas não querem correr o risco de serem acionados na Justiça Eleitoral por misturar despesas de campanha com despesas de governo.
O QG central está instalado no antigo shopping Garibaldi, em Curitiba. É lá que funciona, entre outras coisas, uma assessoria de imprensa particular do candidato Jaime Lerner. O secretário de Comunicação licenciado da Prefeitura de Curitiba, David Campos, responde pela equipe. A intenção é que a Secretaria da Comunicação do governo só se manifeste quando estiverem em jogo programas e ações administrativas. Bem como fique para a assesoria de campanha a tarefa de divulgar a agenda do candidato.
A segurança do governador está fora da estrutura paralela. Resolução baixada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) garante guarda permanente aos governadores e ao presidente, mesmo candidatos. A Casa Militar faz a tarefa de cuidar da segurança de Lerner. O número de policiais não é divulgado por questão de segurança. Numa viagem, que cubra 15 municípios, por exemplo, até seis equipes diferentes da PM podem ser acionadas. A P2, serviço de inteligência da Polícia Militar do Paraná, também fica em regime de plantão em determinadas situações.
A hospedagem do candidato Lerner deve ficar sob a responsabilidade do comitê da reeleição. O tesoureiro oficial é Mário Lopes Filho, mas as faturas, por enquanto, estão sendo divididas pelos presidentes dos partidos que integram a coligação: PFL, PTB, PSB, PST, dentre outros. São as siglas que ficam, até o momento, com a missão de arrecadar recursos para a campanha. João Elias de Oliveira, que se exonerou da Ouvidoria do Estado no início do mês para dedicar-se à agenda de Lerner, faz as reservas junto aos hotéis. Foi ele que garantiu a estadia do governador, na semana passada, no Hotel Água Ativa, em Cornélio Procópio. O Hotel cobra R$ 110,00 de diária, conforme consulta feita pela Folha ontem. Lerner ficou hospedado duas noites.
O transporte ainda é um dos pontos dos quais o staff de Lerner não revela detalhes. Por enquanto, o grupo garante estar fretando um jatinho, com capacidade para seis passageiros, e um helicóptero para viagens mais curtas. Um carro exclusivo para a movimentação do governador-candidato, e outros cinco para uma equipe de suporte, também teriam sido assumidos pelo comitê. A D.M. Taxi Aéreo, instalada no aeroporto do Bacacheri, em Curitiba, é uma das empresas prestadoras de serviço aéreo para o governo e não quis informar ontem à Folha se está fechando contrato para a campanha.
A empresa cobra de locação, por quilômetro, cerca de R$ 4,00 se o jatinho escolhido tiver oito lugares; e de R$ 3,60 a R$ 3,80 se tiver seis. O preço pode ser outro se o contrato for fechado por período mais longo ou por pacote. A empresa que forneceu o helicóptero que transportou Lerner em Cornélio Procópio, no sábado passado, quando ele percorreu boa parte dos 12 municípios que constavam de sua agenda, também é mantida em segredo. O preço médio por hora de uso varia entre R$ 700,00 e R$ 850,00, de acordo com a tomada de preços feita pela reportagem.
O coordenador de logística da campanha de Lerner, Gerson Guelmann, informou ontem que o comitê estuda a possibilidade de alugar um avião exclusivo, que sirva para transportar o governador e a vice, Emília Belinati (PTB), quando Emília percorrer em campanha e Lerner permanecer em Curitiba frente ao governo. Guelmann disse que diversas empresas aéreas estão sendo contactadas. Estamos com excesso de zelo nesta campanha. Mas queremos diferenciar muito bem as coisas - o que é ato de governo e o que é ato de campanha. Não estamos agindo diferente de 94, observou.


