Entidades de classe e comunitárias da cidade de Toledo (40 quilômetros a oeste de Cascavel) estão assumindo a condição de ‘‘fiscais’’ da atuação de candidatos às eleições municipais e do cumprimento da lei eleitoral, através da criação de um Comitê Eleitoral contra a Corrupção. A Subseção da Ordem dos Advogados está colocando à disposição do comitê um grupo de advogados para receber denúncias e formalizá-las ao Ministério Público Eleitoral (MPE).
O comitê é coordenado pelo presidente da Subseção da OAB, Wasceslau Bonetti. Entre os membros efetivos estão o padre Sérgio Rodrigues, representante da Igreja Católica, Luiz Alberto Cavalli, da Pastoral da Juventude da mesma igreja, o pastor Gilson Hoffmann, que representa as denominações evangélicas, Eliane Cargnelutti Torres, presidente da Associação Toledana de Imprensa, além de Nélson Winter, do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários. A União Toledana das Associações de Moradores e outras entidades também estão se integrando. A participação no comitê é aberta ainda a partidos políticos.
O arcebispo D. Anuar Battisti, um dos incentivadores do comitê, diz que a participação da Igreja é importante, principalmente porque ela se empenhou na aprovação da Lei 9840, de setembro do ano passado. A lei, motivada pela iniciativa popular, teve mais de um milhão de assinaturas enviadas ao Congresso. A lei acelera a tramitação de processos, com o chamado rito sumário, abrindo a possibilidade de cassação imediata da candidatura de quem for flagrado em crime eleitoral – no caso, a ‘‘compra de votos’’.
Os advogados do comitê verificarão a consistência das denúncias, decidindo, quando for o caso, pelo encaminhamento ao MPE. Segundo Wasceslau Bonetti, eles ‘‘inclusive orientarão na busca de provas para que os processos tenham fundamentação legal’’.
Para receber as denúncias, a Subseção da OAB está iniciando plantões em sua sede, de segunda a sexta-feira, das 17 às 19 horas. A jornalista Eliane Cargnelutti relata ainda que o comitê deverá fazer um trabalho de esclarecimento à população e aos candidatos, através dos meios de comunicação e de reuniões que serão programadas. ‘‘O comitê vai explicar o que prevê a lei, o procedimento dos eleitores e o dos candidatos’’, explica.

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