O comitê financeiro de Luiz Inácio Lula da Silva quer que todas as doações de pessoas jurídicas à campanha sejam feitas diretamente à Justiça Eleitoral. A idéia é estimular as empresas privadas a depositar as contribuições na conta do Fundo Partidário, administrada pelo TSE e rateada entre todos os partidos.
O presidente nacional do PT, José Dirceu, encaminhou ao TSE uma representação, na qual a frente pede que o Tribunal divulgue informes nos meios de comunicação sobre a possibilidade desse tipo de contribuição.
‘‘A doação direta de pessoa jurídica estabelece um vínculo nefasto’’, defende a tesoureira da campanha de Lula, Clara Ant. Ela lembrou que o PT sempre foi favorável ao financiamento público das campanhas e que, portanto, pretende sugerir às empresas que ‘‘colaborem para o fortalecimento da democracia’’, doando ao Fundo Partidário recursos não-vinculados.
‘‘Não há democratização de campanha sem democratização das doações’’, argumentou o deputado federal Alexandre Cardoso (PSB-RJ), representante do partido no comitê financeiro. Cardoso disse que vai desafiar os tesoureiros das campanhas de todos os candidatos à Presidência a aderir à proposta.
O deputado observa que, mesmo com o rateio das doações pelo TSE, Lula sairia em desvantagem. Segundo ele, Lula e FHC receberiam os recursos na proporção de quatro por um. ‘‘De cada R$ 5 milhões doados, R$ 4 milhões iriam para o Fernando Henrique e R$ 1 milhão ficaria com Lula’’, explica Alexandre Cardoso. ‘‘Ainda assim, é melhor do que ele ter R$ 10 milhões e nós, nada’’, argumenta.

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