Comitê de FHC tenta evitar abstenção
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quinta-feira, 01 de outubro de 1998
Agência Estado 
O comitê do presidente Fernando Henrique Cardoso fechou ontem, em Brasília, a campanha cantando a vitória do candidato à reeleição neste domingo. Na avaliação do comitê, nem a militância ostensiva do principal adversário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nem o crescimento do candidato Ciro Gomes (PPS) ameaçam o favorito nas pesquisas. Mas o índice previsto de abstenção na votação (7% segundo o Ibope) levou o candidato a apelar pelo comparecimento do eleitor às urnas e sustentar, no programa eleitoral, que não baixará pacote ou deixará a inflação voltar. O instituto Ibope ainda constatou 10% de indecisos.
Uma abstenção muito elevada no domingo poderia derrubar todas as projeções do comitê de Fernando Henrique e impor-lhe a zebra do segundo turno. Até o momento, as pesquisas de intenção de voto o colocam com cerca de 11 pontos de vantagem sobre a soma dos demais candidatos. A avaliação do coordenador político da campanha de Fernando Henrique, Euclides Scalco, é de que não há mais tempo para Ciro Gomes crescer e provocar o risco de um segundo turno. O crescimento de Ciro não ameaça a vitória de Fernando Henrique em primeiro turno, disse ele. Segundo Scalco, levantamentos do comitê mostram que Ciro tem oscilado nas pesquisas entre 6% e 9%.
Mas agora a mobilização é a palavra de ordem no comitê.É muito importante que as pessoas compareçam às urnas para votar neste domingo, disse o coordenador de mobilização, José Abrão, que decidiu envolver até os ministros do governo de Fernando Henrique na campanha pela reeleição, enviando-os camisetas com o nome do candidato para serem usadas no dia da votação. Todos devem participar do processo eleitoral com civismo, inclusive os ministros, sugeriu ele. Se eles já vestiram a camisa do governo, que vistam agora a camisa da reeleição.
Pelo menos 2,5 milhões de camisetas foram distribuídas para eleitores de todo o País até ontem, último dia permitido pela legislação. Esse volume é para garantir que uma parte do eleitorado - aquela que não tem voto definido - seja acionado pela onda da militância. Outra preocupação do comitê é com a resistência de outra parcela de eleitores com a urna eletrônica. O voto eletrônico chegará pela primeira vez em 480 municípios do País. O temor é de que a abstenção seja grande nesses locais porque seus eleitores nunca participaram de uma votação eletrônica antes.
Esse motivo levou o comitê a colocar em ação outra estratégia. Começou distribuindo 40 mil cartilhas destinadas a militantes para orientarem o eleitor a votar na urna eletrônica. Essas cartilhas chegaram aos 49 comitês ligados a Fernando Henrique, em todos os Estados. O comitê central espera que esta mobilização atinja 2 milhões de eleitores, se cada monitor que receber uma cartilha orientar 50 pessoas.
Quanto mais expressiva a votação em Fernando Henrique, mais força ele terá para iniciar o próximo governo, justifica o coordenador político do comitê. O último programa da televisão do candidato insistiu ao eleitor que não vote nulo ou em branco. A dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó defendeu a reeleição de Fernando Henrique e o chamou de bom amigo. À noite, os marqueteiros carregaram no apelo emocional. Cenas dos filhos do ex-ministro Sérgio Motta e ex-deputado Luís Eduardo Magalhães - mortos em abril desse ano -, Renata e Luís Eduardo Filho abriram o programa.
Depois que um locutor diz que Fernando Henrique é a melhor opção por ser preparado, firme, competente, o próprio candidato entra em cena para dizer que não vai trair o eleitor que votar nele: Comigo a inflação não volta, comigo não haverá sustos, nem sobressaltos, comigo não tem pacote, não vou jogar fora um passado de luta, os milhões de votos que o Brasil me deu em 94 e todo o apoio que você tem me dado ao longo desses quatro anos, traindo sua confiança após as eleições, prometeu o presidente-candidato.
FMIO presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse ontem em Salvador que nas negociações que fará em Washington, onde o ministro da Fazenda, Pedro Malan, participa da reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Brasil não aceitará nenhuma exigência que atinja os interesses nacionais. ACM antecipou que está descartada a adoção de medidas que resultem em prejuízo para os setores importantes do País, principalmente os que comprometam as melhorias alcançadas pelas camadas mais carentes da população.
O Brasil vai negociar em Washington, afirmou o senador. Mas eu posso garantir que não fará nenhum acordo que fira os interesses nacionais. Segundo ele, a situação internacional exige que o presidente Fernando Henrique Cardoso e as autoridades da área econômica discutam uma saída nos fóruns adequados.


