O comitê do presidente Fernando Henrique Cardoso fechou ontem, em Brasília, a campanha cantando a vitória do candidato à reeleição neste domingo. Na avaliação do comitê, nem a militância ostensiva do principal adversário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nem o crescimento do candidato Ciro Gomes (PPS) ameaçam o favorito nas pesquisas. Mas o índice previsto de abstenção na votação (7% segundo o Ibope) levou o candidato a apelar pelo comparecimento do eleitor às urnas e sustentar, no programa eleitoral, que não baixará pacote ou deixará a inflação voltar. O instituto Ibope ainda constatou 10% de indecisos.
Uma abstenção muito elevada no domingo poderia derrubar todas as projeções do comitê de Fernando Henrique e impor-lhe a ‘‘zebra’’ do segundo turno. Até o momento, as pesquisas de intenção de voto o colocam com cerca de 11 pontos de vantagem sobre a soma dos demais candidatos. A avaliação do coordenador político da campanha de Fernando Henrique, Euclides Scalco, é de que não há mais tempo para Ciro Gomes crescer e provocar o risco de um segundo turno. ‘‘O crescimento de Ciro não ameaça a vitória de Fernando Henrique em primeiro turno’’, disse ele. Segundo Scalco, levantamentos do comitê mostram que Ciro tem oscilado nas pesquisas entre 6% e 9%.
Mas agora a mobilização é a palavra de ordem no comitê.‘‘É muito importante que as pessoas compareçam às urnas para votar neste domingo’’, disse o coordenador de mobilização, José Abrão, que decidiu envolver até os ministros do governo de Fernando Henrique na campanha pela reeleição, enviando-os camisetas com o nome do candidato para serem usadas no dia da votação. ‘‘Todos devem participar do processo eleitoral com civismo, inclusive os ministros’’, sugeriu ele. ‘‘Se eles já vestiram a camisa do governo, que vistam agora a camisa da reeleição.’’
Pelo menos 2,5 milhões de camisetas foram distribuídas para eleitores de todo o País até ontem, último dia permitido pela legislação. Esse volume é para garantir que uma parte do eleitorado - aquela que não tem voto definido - seja acionado pela ‘‘onda’’ da militância. Outra preocupação do comitê é com a resistência de outra parcela de eleitores com a urna eletrônica. O voto eletrônico chegará pela primeira vez em 480 municípios do País. O temor é de que a abstenção seja grande nesses locais porque seus eleitores nunca participaram de uma votação eletrônica antes.
Esse motivo levou o comitê a colocar em ação outra estratégia. Começou distribuindo 40 mil cartilhas destinadas a militantes para orientarem o eleitor a votar na urna eletrônica. Essas cartilhas chegaram aos 49 comitês ligados a Fernando Henrique, em todos os Estados. O comitê central espera que esta mobilização atinja 2 milhões de eleitores, se cada monitor que receber uma cartilha orientar 50 pessoas.
‘‘Quanto mais expressiva a votação em Fernando Henrique, mais força ele terá para iniciar o próximo governo’’, justifica o coordenador político do comitê. O último programa da televisão do candidato insistiu ao eleitor que não vote nulo ou em branco. A dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó defendeu a reeleição de Fernando Henrique e o chamou de ‘‘bom amigo’’. À noite, os marqueteiros carregaram no apelo emocional. Cenas dos filhos do ex-ministro Sérgio Motta e ex-deputado Luís Eduardo Magalhães - mortos em abril desse ano -, Renata e Luís Eduardo Filho abriram o programa.
Depois que um locutor diz que Fernando Henrique é a melhor opção por ser ‘‘preparado, firme, competente’’, o próprio candidato entra em cena para dizer que não vai trair o eleitor que votar nele: ‘‘Comigo a inflação não volta, comigo não haverá sustos, nem sobressaltos, comigo não tem pacote, não vou jogar fora um passado de luta, os milhões de votos que o Brasil me deu em 94 e todo o apoio que você tem me dado ao longo desses quatro anos, traindo sua confiança após as eleições’’, prometeu o presidente-candidato.
FMIO presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse ontem em Salvador que nas negociações que fará em Washington, onde o ministro da Fazenda, Pedro Malan, participa da reunião do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Brasil não aceitará nenhuma exigência que atinja os interesses nacionais. ACM antecipou que está descartada a adoção de medidas que resultem em prejuízo para os setores importantes do País, principalmente os que comprometam as melhorias alcançadas pelas camadas mais carentes da população.
‘‘O Brasil vai negociar em Washington’’, afirmou o senador. ‘‘Mas eu posso garantir que não fará nenhum acordo que fira os interesses nacionais.’’ Segundo ele, a situação internacional exige que o presidente Fernando Henrique Cardoso e as autoridades da área econômica discutam uma saída nos fóruns adequados.

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