A duas semanas da inauguração oficial, o comitê de campanha do presidente Fernando Henrique Cardoso em Brasília já começa a receber uma romaria de políticos que, a pretexto de conhecer as instalações, aproveitam para tratar dos seus interesses nos estados. Mais do que a harmonização dos palanques, esses políticos querem garantir a presença do presidente-candidato em comícios e outros eventos eleitorais a partir do dia 6, quando a campanha começa oficialmente.
Ontem, o movimento no comitê da reeleição começou cedo, liderado pelos tucanos. Um dos primeiros visitantes foi o governador do Mato Grosso, Dante de Oliveira, que teve um encontro com José Expedito Prata, assessor direto do candidato Fernando Henrique. ‘‘Nós trocamos idéias sobre a campanha e sobre o que fazer no Mato Grosso’’, contou Oliveira. A preocupação do governador tucano é saber como será encaminhado o palanque no Estado, onde o presidente terá de dividir suas atenções entre a sua candidatura e a do senador Júlio Campos (PFL-MT), cuja coligação também apóia o presidente.
‘‘Vamos fazer tudo o que não atrapalhe o presidente’’, disse. ‘‘Estou aberto a ajudar’’, afirmou Dante de Oliveira. Segundo ele, não haveria nenhum constrangimento em dividir a presença do presidente com o palanque do seu adversário pefelista, mas esta é uma decisão que caberá a Fernando Henrique Cardoso. ‘‘O que não pode é subir em um só palanque’’, afirmou. ‘‘Ou sobe nos dois ou não sobe em nenhum’’, completou lembrando-se da campanha de 1994.
Naquele ano, Dante de Oliveira recebeu o apoio dos quatro candidatos à disputa presidencial (Fernando Henrique, Luiz Inácio Lula da Silva, Orestes Quércia e Leonel Brizola) e, para não criar melindres, retribuiu a força subindo nos quatro palanques. Para o governador, contudo, a melhor solução seria o presidente trocar os tradicionais comícios por simples visitas às obras mais importantes realizadas no Estado. ‘‘Inauguração eu não posso, mas a visita é um caminho que não fere a lei’’, explicou.
Entre as obras que gostaria de mostrar ao candidato-presidente, o governador do Mato Grosso já escolheu a Usina Termoelétrica de Cuiabá, cuja primeira etapa será inaugurada em setembro. ‘‘É uma verdadeira revolução no setor de energia elétrica do Estado’’, disse Dante. A usina será custeada pela iniciativa privada e está orçada em US$ 450 milhões.
A busca de solução para os palanques estaduais - cuja organização tornou-se missão para o coordenador nacional da campanha, Euclides Scalco - preocupa também as bancadas tucanas e poderá levar o comando político da reeleição a repetir as ações adotadas em 1994 nos estados onde os palanques estiveram divididos. Essa tem sido a tendência apontada pelas pessoas que estão envolvidas nas conversas preliminares em torno da agenda do presidente-candidato.
Ontem, o deputado João Faustino (PSDB-RN) também passou pelo comitê da campanha da reeleição para conversar com Scalco, mas não o encontrou. O palanque duplo se repete no Rio Grande do Norte, onde dois aliados disputarão o governo neste ano: o pefelista José Agripino Maia e o atual governador, Garibaldi Alves Filho, da ala governista do PMDB. ‘‘Talvez a saída seja não fazer comício’’, disse o deputado. Para ele, um bom caminho seria o presidente repetir a campanha de 1994, quando o candidato FHC abriu mão dos comícios e limitou-se a uma carreata, seguida por uma entrevista coletiva à imprensa, ladeado pelos dois candidatos ao governo. (AE)

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