BRASILIA - Depois de eleger seus candidatos à presidência da Câmara e do Senado, o governo está preocupado agora em colocar senadores considerados fiéis ao Palácio do Planalto nas comissões que vão analisar as reformas constitucionais. O alvo principal é a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), que, no Senado, é a única responsável por alterar ou manter o texto das emendas antes da votação em plenário. Na próxima terça-feira, os líderes dos partidos aliados começarão a definir os nomes.
A presidência da CCJ será do PFL. Dois senadores disputam o cargo: Bernardo Cabral (AM/foto) e Romeu Tuma (PSL-SP), que já anunciou sua filiação ao PFL. O governo prefere o senador José Agripino (PFL-RN), considerado mais confiável pelo Planalto e que faz uma campanha discreta. Na Câmara - para não atrapalhar a tramitação da emenda que permite a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso -, a composição atual das comissões será mantida até a votação da emenda em segundo turno.
Os governistas temem que a base de sustentação de FHC saia dividida da disputa pelas presidências e relatorias das comissões especiais encarregadas de analisar as emendas constitucionais e projetos de regulamentação. O governo pediu aos líderes dos partidos de sua base de apoio que não formem blocos parlamentares até a reeleição ser aprovada em segundo turno. A presidência das comissões é ocupada pelo bloco com maior número de deputados.
O presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), decidiu ressuscitar a prática de reunir os líderes de todos os partidos - o chamado Colégio de Líderes -, para definir a pauta de votação, procedimento abolido por seu antecessor, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA).
A primeira reunião foi marcada para a próxima terça-feira. A pauta de votação desta semana já está pronta. O projeto mais importante é o que pune com mais rigor o porte ilegal de armas. A proposta foi alterada no Senado durante a convocação extraordinária e será novamente votada pela Câmara.
A semana será de articulações para garantir a votação em segundo turno da emenda da reeleição no dia 26. Concluída a votação na Câmara, a emenda segue para a CCJ do Senado. Ao contrário da Câmara, a tramitação de reforma constitucional no Senado não passa por comissão especial. Da CCJ vai direto para o plenário, o que justifica a preocupação dos governistas com a composição dessa comissão. O relator da emenda deverá ser do PFL ou PSDB, segundo o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). O líder do PSDB, Sérgio Machado (CE), afirmou que o PFL tem mais direito ao cargo, já que detém a maior bancada entre os três partidos governistas.

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