Brasília - A formação das comissões permanentes da Câmara dos Deputados no início deste mês evidenciou a atuação de interesses empresariais na Casa. Presidências de comissões foram entregues a deputados que receberam doações de empresas das respectivas áreas e em comissões econômicas como de Minas e Energia e de Viação e Transportes. A maioria dos parlamentares também teve suas campanhas financiadas da mesma forma.
Levantamento feito pelo jornal ''O Estado de S. Paulo'' revelou que na Comissão de Minas e Energia pelo menos 19 dos 30 deputados titulares receberam doações de empresas que atuam no setor. Na lista aparecem metalúrgicas, mineradoras, construtoras, usinas e postos de combustíveis, entre outros.
O presidente da comissão, Luiz Fernando Faria (PP-MG), obteve mais de metade dos R$ 2,258 milhões que declarou ter gasto em sua campanha com empresas da área em que vai atuar diretamente. A reportagem tentou contato com o deputado, mas ele não foi localizado por sua assessoria de imprensa.
Também integrante da comissão, o deputado Guilherme Mussi (PV-SP) recebeu um terço de sua campanha bancada por uma empresa que também atua com mineração. De acordo com sua assessoria, a empresa pertence ao pai do parlamentar.
O deputado Bernardo Santana de Vasconcellos (PR-MG), por sua vez, teve dois terços de sua campanha bancados por uma mineradora. Antes de assumir o mandato, Vasconcellos era diretor da mineradora. ''Todas as empresas que me apoiaram sabem que meu trabalho vai ser pautado pelo desenvolvimento industrial como um todo. Não atuarei na comissão ou no meu mandato para beneficiar uma ou outra empresa. ''
As empresas que mais fizeram doações para deputados da comissão de Minas e Energia são a construtora Camargo Corrêa e a geradora de energia Tractebel. Ambas destinaram recursos para seis deputados, incluindo o presidente da comissão.
Diretores da Camargo Corrêa chegaram a ser investigados pela Operação Castelo de Areia da Polícia Federal em 2009, justamente por doações eleitorais. Segundo a investigação da PF, obras da empresa teriam sido superfaturadas e parte dos recursos era destinada de forma ilegal a partidos políticos.

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