Três comissões de sindicância que trabalharam simultaneamente nos últimos dias na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), em Cascavel, pediram ao Conselho Universitário a abertura de processos administrativos contra a reitora afastada Liana Fuga. Com base nos depoimentos, as comissões concluíram que há autoria e materialidade suficiente para abertura de processos para que ''sejam apurados os fatos e as respectivas responsabilidades''. Além de Liana, outros funcionários foram mencionados como possíveis autores de irregularidades.

As três comissões investigaram as denúncias de emissão de cheques ao portador, a contratação de assessores ''fantasmas'' e a retirada de um disquete da reitoria sem autorização. As duas primeiras acusações estão sendo investigadas também pelo Ministério Público (MP). Em relação ao disquete, há um inquérito na Polícia Civil. A abertura dos processos será decidida na próxima reunião do Conselho Universitário, cuja data ainda não foi definida.

A comissão presidida por Maria da Piedade Araújo constatou que foram emitidos 24 cheques ao portador que totalizam R$ 55.127,00. Destes, 21 foram nominados à própria Unioeste, sendo endossados depois. A comissão concluiu que ''há indícios em documentos e depoimentos constituintes deste relatório de que houve malversação do dinheiro público''.

Em relação à denúncia da contratação de funcionários ''fantasmas'', a comissão presidida pelo professor Ricardo Martins constatou que foram pagos valores (de junho de 2000 até junho de 2001) a Romildo Andrade Fagundes, Wagner Wey Moreira e Regina Maria Simões. Os três foram nomeados assessores especiais. De acordo com o documento apresentado pela comissão, apenas Wagner e Regina participaram de reuniões de trabalho na reitoria, ''mesmo assim sob contratação irregular''.

Sobre a retirada do disquete, Liana confirma que pegou por não ter conseguido os documentos solicitados por ela para comprovar as irregularidades em contratos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) com a universidade. Para ela, ''as acusações sempre surgem para prorrogar o prazo de afastamento da reitoria''.

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