Quarenta e três ônibus convencionais lotados com cerca de 1.900 pessoas, entre funcionários públicos detentores de cargos em comissão no governo do Estado e na Prefeitura de Curitiba e familiares, invadiram o interior do Paraná ontem. Convocados pelo comitê pró-reeleição do governador Jaime Lerner (PFL), os comissionados, que nesta madrugada já retornavam a Curitiba, fizeram panfletagem para o governador em diversos municípios. A Folha acompanhou o embarque na noite de sexta-feira.
A garoa era discreta, mas o trabalho dos subcoordenadores da campanha do governador escancarado. Diversos veículos, contratados pelos ‘lerneristas’ para transportar os comissionados e demais ‘‘voluntários’’, faziam imensa fila já no anoitecer. O primeiro embarque ocorreu às 21 horas, e o último à meia-noite. Abarrotados com material de campanha, santinhos e jornais, seis ônibus deslocaram-se para Foz do Iguaçu, o roteiro de campanha mais disputado pela possibilidade de compras no Paraguai.
Ney de SouzaCorpo a corpo em Foz do Iguaçu no sábado pela manhãOs demais seguiram rumo a Paranaguá, Umuarama, Toledo, Pato Branco, Maringá e outros municípios. Os ‘‘voluntários’’ preferem o anonimato. Eles não são pagos, mas atender o chamado é forma de garantir emprego e o cargo conferido por critérios políticos. O governo dispõe hoje de 1.800 cargos em comissão e outras 7 mil funções gratificadas. A Prefeitura de Curitiba, 348, conforme informou o coordenador da equipe jurídica da campanha de Lerner, ex-procurador de Curitiba Marcus Vinícius Costa.
As convocações variam de secretaria para secretaria. Em algumas pastas, o ‘‘convite’’ é por escrito e em outras, informal. Os comissionados no interior - cerca de 350 - também têm a missão de arrebanhar novos ‘‘cabos eleitorais’’. Os que detêm salários mais elevados tem a opção de panfletar em Curitiba e região, enquanto que os que ganham menos têm de se deslocarem quilômetros rumo ao interior.
Para os ‘‘voluntários’’ e famílias, o staff do governador financia apenas almoço e lanches. As viagens são monitoradas por subcoordenadores de campanha, que repassam as orientações gerais sobre como pedir voto e agir diante dos eleitores. O envolvimento dos comissionados concentrou-se durante dias apenas na região metropolitana de Curitiba. O acirramento da disputa e a proximidade das eleições - falta menos de sete semanas - forçaram o comitê de Lerner a interiorizar a estratégia.
Marcos NegrineEm Maringá também houve panfletagem dos servidoresO Sindiservidores, um dos sindicatos da categoria, está em estado de alerta. O presidente Vladimir França disse que vem recebendo diariamente denúncias de funcionários das secretarias. O dirigente está reunindo informações para ajuizar representação junto ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) contra o governo, por intimidar funcionários. ‘‘Já fizemos isso em outras eleições. Não temos dúvida de que isso é caso de uso da máquina’’, avaliou.
Para o comitê de Lerner, o deslocamento dos comissionados e ‘‘voluntários’’ não tem nada de mais. O coordenador de logística, Gerson Guelmann, tem dito que os arrastões ocorrem sempre fora do expediente e que os comissionados têm consciência de que precisam trabalhar para a recondução do grupo, mas sem pressão.

mockup