Curitiba - Uma visita da CPI do Banestado ao Instituto Mé dico Legal (IML), ontem pela manhã, gerou mais dúvidas sobre a morte do ex-diretor da Banestado Leasing e ex-secretário de Estado de Esporte e Turismo Osvaldo Magalhães dos Santos. O IML de Curitiba, que realizou a necrópsia do corpo de Osvaldo Magalhães, morto em 7 de setembro de 1998, não possui laudo da arcada dentária dele, conforme garantiu ontem o relator da CPI, deputado estadual Mário Sérgio Bradock (PMDB).
Durante as investigações da CPI do Banestado, alguns depoentes mencionaram a possibilidade de Osvaldo Magalhães estar vivo. Ele teria forjado a própria morte e estaria vivendo no exterior. Os deputados da comissão decidiram encaminhar à Justiça pedido de exumação do corpo. Antes, no entanto, vão investigar documentos e laudos da morte. Se confirmadas as dúvidas, vão fazer o pedido. A atitude gerou muitas críticas de outros deputados. O presidente da CPI, Neivo Beraldin (PDT), disse que não vai haver recuo, apesar das pressões contra. ''Estamos realizado os procedimentos para embasar o pedido judicial. Sempre tivemos sucesso nos nossos pedidos à Justiça (quebra de sigilo bancário) porque são muito bem fundamentados'', afirmou. Bradock disse que ficou com ''uma baita dúvida'' sobre a morte de Osvaldo Magalhães. Ele teria sido responsável por um prejuízo de R$ 400 milhões (valores que para a CPI seriam de R$ 600 milhões) por conta de empréstimos irregulares concedidos pela Banestado Leasing. Logo depois que deixou o banco, em 1996, assumiu como secretário do ex-governador Jaime Lerner (PFL), cargo que ocupou até sua morte. O acidente ocorreu na BR-277, em Palmeira (40 quilômetros ao sul de Ponta Grossa). Osvaldo Magalhães, então com 38 anos, dirigia um veículo Ômega, alugado, quando bateu contra um caminhão. O corpo do ex-secretário ficou desfigurado.
O inquérito sobre a morte de Osvaldo Magalhães foi arquivado ainda em 1998. Como ele foi responsabilizado pelo acidente e morreu, não havia como dar prosseguimento à investigação. De acordo com o promotor de Justiça de Palmeira, Antônio Carlos Nervino, o inquérito buscava esclarecer somente a responsabilidade do acidente e não a identidade do corpo. A reportagem tentou falar com o diretor do IML em Curitiba, Carlos Elke Braga Filho, mas a secretária dele informou que as questões sobre a morte de Osvaldo Magalhães devem ser tratadas com a CPI.

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