Curitiba - A Comissão Externa da Câmara, criada para apurar denúncias de pagamento de propina a funcionários da Petrobras, vai protocolar um requerimento no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando acesso a todas as ações penais e inquéritos policiais referentes à Operação Lava Jato, que foram remetidos à Brasília a pedido do ministro Teori Zavascki. A informação foi confirmada ontem pelo deputado Fernando Francischini (Solidariedade-PR), que fez uma visita técnica ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba. O magistrado paranaense acompanhou as investigações da Lava Jato e confirmou que todo o material apreendido durante a operação da Polícia Federal (PF) já foi encaminhado para a Suprema Corte.
De acordo com o parlamentar, o requerimento deve ser apresentado na próxima terça-feira, um dia antes da instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Petrobras. Para Francischini, é necessário a CPMI ter acesso às ações penais e inquéritos da Lava Jato, principalmente depois que a PF divulgou que investiga uma possível ligação entre a compra pela Petrobras da refinaria de Pasadena (EUA) e o esquema de lavagem de dinheiro desbaratado em março na operação da PF. O deputado antecipou que Paulo Roberto Costa deve ser o primeiro convocado a depor na CPMI. Costa, que é réu em duas ações penais pela Operação Lava Jato, e agora é investigado pela PF por irregularidades constatadas na compra da refinaria de Pasadena, foi solto após decisão do STF.
Um documento do inquérito que apura a compra da refinaria de Pasadena relata a suspeita da existência de uma "organização criminosa" na estatal, que patrocinaria desvio de recursos públicos para o exterior. Conforme as investigações, a PF suspeita que o doleiro Alberto Youssef tenha atuado nessas remessas ao exterior. Num ofício encaminhado à Justiça Federal do Paraná, disse Francischini, o delegado responsável solicitou o compartilhamento das provas da Lava Jato para subsidiar as investigações sobre Pasadena.
O deputado também adiantou que a Comissão Externa deve pedir ao ministro celeridade no caso para que a investigação da PF e do Ministério Público Federal (MPF) não seja prejudicada. "Não podemos aceitar que o STF busque inquéritos em que não há foro privilegiado somente naqueles em há indícios de envolvimento de deputados. Youssef e Costa, por exemplo não têm foro privilegiado. Além disso, a decisão que foi tomada pelo ministro está impedindo o andamento das investigações da PF e do MPF, por isso a análise de todo o material precisa ser agilizada, para que os processos sejam desmembrados e retornem o quanto antes para a Justiça Federal do Paraná", reforçou o parlamentar.

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