Curitiba - Foi definida ontem a comissão de sindicância que vai apurar as denúncias de desvios de recursos da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) feitas por funcionários da instituição e que pode virar uma CPI na Assembléia. O dossiê foi entregue na última sexta-feira pelo deputado estadual Mário Sérgio Bradock (PMDB) ao governador Roberto Requião (PMDB).
O procurador do Estado, Wallace Soares Pugliesi, é quem presidirá a comissão de sindicância, da qual participam Valdecir Dias de Moraes, da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Pedro Guilherme Matias, da Secretaria de Estado da Administração, e Nelson Ramalho, da Secretaria de Estado da Fazenda.
O secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldair Rizzi, disse que, ainda hoje, o grupo deve se reunir para definir cronograma e metodologia de trabalho. A comissão tem 15 dias para concluir os trabalhos, mas o prazo poderá ser estendido.
O dossiê, segundo Rizzi, envolve ''problemas de diversas ordens'', mas os que mais pesam são os supostos desvios de dinheiro público, que estariam acontecendo desde a gestão anterior à do atual reitor Paulo Roberto Godoy. O secretário citou o caso do Departamento de Odontologia, que estaria emitindo recibos falsos para consultas nunca realizadas. Também é apontada a falta de controle nas receitas e despesas do restaurante universitário e uso indevido de equipamentos da Fazenda Escola. O dossiê envolve os nomes do ex-reitor Roberto Frederico Merhy, do atual vice-reitor Ítalo Sérgio Grande e do ex-pró-reitor de Administração Nadir Laidane.
O secretário confirmou que a UEPG já havia instaurado processo administrativo para apurar o desvio de R$ 62 mil, o que teria, inclusive, resultado na demissão de funcionários.
O atual vice-reitor, Ítalo Sérgio Grande, disse ontem que estão ''misturando'' fatos de ''erros adminstrativos'' no pagamento de cursos de pós-graduação com as denúncias de desvios de recursos. Ele negou que teve envolvimento com qualquer irregularidade da gestão passada. Uma comissão de processo administrativo, segundo ele, já concluiu a sindicância em que seu nome foi envolvido, mas ele preferiu não comentar o resultado, pois o assunto estaria sendo tratado pelo Ministério Público (MP) estadual. Sobre o dossiê, Grande afirmou que a própria UEPG já havia designado uma comissão processante para apurar as denúncias de desvio de receita.

mockup