Comissão vai ao Chile apurar caso JK
Os deputados da Comissão Externa que investiga a morte do ex-presidente Juscelino Kubistcheck irão ao Chile entre os dias 2 e 6 de outubro para tentar um encontro com o general Manuel Contreras. Preso no Chile como autor intelectual do atentado que matou o ex-embaixador chileno, Orlando Lettelier, em setembro de 1976, o general Contreras teria sido o suposto cabeça da operação Condor uma organização apoiada pelas ditaduras militares do continente, que tinha como objetivo perseguir e até matar os opositores aos governos autoritários da América Latina.
E é sobre essa operação Condor que os deputados querem obter mais detalhes, como informou o primeiro vice-presidente da comissão, deputado Carlos Mosconi (PSDB-MG). O objetivo dessa missão da Câmara seria o de ter um contato com o general Contreras, que está preso em Santiago, a fim de obter dele informações que o Brasil não possui, afirmou. Nós sabemos que a morte do presidente Juscelino foi acidental, porém isso não afasta a possibilidade, mesmo tendo sido um acidente, de que algo estivesse sendo armado..
Mosconi lembrou ainda de uma carta enviada por Contreras ao então chefe do Serviço Nacional de Informações, general João Figueiredo, em 1975. Segundo Contreras, o ex-embaixador chileno Lettelier, assassinado no ano seguinte, e o ex-presidente brasileiro Juscelino Kubistcheck representariam ameaças aos governos da época.
Além do caso JK, uma outra comissão da Câmara investiga as circunstâncias em que morreu o ex-presidente João Goulart. Há suspeita de que a morte de JK, de Jango e até do ex-governador do antigo Estado da Guanabara, Carlos Lacerda, tenham ocorrido por intervenção direta da Operação Condor. Das lideranças políticas daquela época, que participaram das manifestações para a volta da democracia no País, apenas Leonel Brizola sobreviveu.
No caso de JK, a comissão ouviu testemunhas que disseram suspeitar que o acidente teria sido provocado ou que o Opala que transportava o ex-presidente poderia ter sido sabotado. O jornalista e escritor Carlos Heitor Cony, amigo de JK, recorda que uma semana antes do acidente fatal na Via Dutra, havia corrido um boato de que o ex-presidente havia morrido, próximo a Brasília, também de acidente automobilístico.
Os deputados que apuram a morte de Jango trabalham com pelo menos duas fortes hipóteses. A primeira é de que João Goulart teria sido vítima de envenenamento; a segunda, a de que seus medicamentos para o coração foram trocados propositalmente para provocar efeito contrário, ou seja, um infarto fulminante. O corpo de Jango foi enterrado sem passar por uma autópsia e, na época, o governo militar fez de tudo para impedir que o sepultamento acontecesse em São Borja, no Rio Grande do Sul. A ida dos deputados ao Chile, caso o general Contreras decida colaborar, poderá esclarecer fatos históricos importantes, que ainda permanecem obscuros.





