A comissão formada por secretários municipais concluiu que a melhor opção para Londrina é manter os serviços de água e esgoto administrados pela Sanepar, por meio de um novo contrato, desde que sejam inseridas contrapartidas. O anúncio foi feito ontem pelo prefeito Alexandre Kireeff (PSD) e leva em consideração o estudo feito pela empresa Ceres Inteligência Financeira, de Belo Horizonte (MG), contratada por R$ 600 mil, finalizado ainda no primeiro semestre.
Sem revelar os números apurados, considerados estratégicos para a negociação com a diretoria da Sanepar, Kireeff informou que "agora nós sabemos quanto custa esse contrato por 30 anos e vamos colocar as nossas condições". Entre os vinte pontos do relatório, o prefeito destacou como necessário para a cidade a criação de um modelo segregado, "com a Sanepar pensando o trabalho em Londrina e não no Paraná ao definir as políticas locais"; o alcance de 100% de esgoto coletado e tratado até 2018; a definição de parâmetros claros para a composição da tarifa; e o repasse de um prêmio para o município. "Esse trabalho técnico identificou quanto haveria de bens possivelmente reversíveis em favor da Sanepar, mas também quantificou o valor da prestação de serviços por 30 anos com abastecimento e saneamento. Essa conta gera um prêmio em favor da Prefeitura de Londrina, e isso tem que ser negociado e estabelecido."
Desde o início do levantamento foram definidas três possibilidades: contrato de programa com a estatal de saneamento; abertura de licitação para que outras empresas pudessem disputar o serviço; e municipalização. Em favor da Sanepar foram fundamentais a possibilidade de fiscalização por parte de órgãos públicos de controle, como o Tribunal de Contas (TC) do Paraná, a qualidade da água distribuída na cidade e a falta de garantia de que uma empresa terceirizada cumpriria todo o tempo do contrato.
O estudo técnico apurou a condição do saneamento em outras 15 cidades do mesmo porte de Londrina e constatou que entre as três melhores colocadas estão Maringá, São José dos Campos, além de Londrina. "Quando os custos e despesas são menores, a qualidade é inferior ou ainda quando a qualidade é equivalente à Sanepar, de poucas, o custo é maior, (…) não havendo milagres de mercado que tragam preços menores com qualidades maiores."

SANEPAR COMEMORA


Agora a comissão municipal – formada pelos secretários Rogério Carlos Dias (Gestão Pública), Paulo Arcoverde (Governo), Daniel Pelisson (Planejamento) e Carlos Geirinhas (Assuntos Especiais) – vai iniciar a negociação com a diretoria da Sanepar. Deve encontrar um clima favorável na estatal, pelo menos, inicialmente. Segundo o gerente-geral da empresa em Londrina, Sergio Bahls, "esse posicionamento da prefeitura é positivo". Ele ressaltou que a Sanepar está há 42 anos na cidade e "mesmo com contratos temporários nunca reduziu investimentos".
A Sanepar mantém em Londrina mais de 240 mil ligações de água e 200 mil de esgoto, e tem 500 funcionários.

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