Os partidos aliados do governo já começaram a trabalhar com a hipótese de aprovar a proposta de reforma da Previdência Social apenas na comissão especial, durante o período de convocação extraordinária do Congresso Nacional. O primeiro turno de votação em plenário, anteriormente marcado para 11 de fevereiro, pode ser adiado para depois do Carnaval, por causa dos prazos apertados e das resistências que existem em relação à reforma dentro da própria base de apoio do governo.
A instalação da comissão está prevista para o início da tarde de hoje, e o prazo para a apresentação de emendas ao texto da reforma deve se estender até o final de janeiro. Depois disso, o relator da proposta, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), já poderá apresentar o seu parecer. E, como os partidos de oposição deverão pedir vista do texto (um dispositivo regimental que concede prazo para que os parlamentares analisem um determinado projeto), a votação da reforma pela comissão só poderá ocorrer no início de fevereiro. Dentro da base governista, aponta-se como muito curto o intervalo entre a votação na comissão e o final da convocação extraordinária.
‘‘Existe muita gente falando na possibilidade de votação da reforma em março’’, admite Arnaldo Madeira, procurando colocar-se à parte do debate em torno da data mais provável para a realização do primeiro turno. ‘‘Do ponto de vista técnico, há condições de se votar a reforma no plenário em fevereiro, mas tudo vai depender dos líderes e da própria comissão’’, ressalva.
O líder do governo na Câmara, Luis Eduardo Magalhães (PFL-BA), prefere não se comprometer com a votação em primeiro turno ainda durante o período de convocação extraordinária. ‘‘Não consigo ver diferença entre fevereiro ou março, embora pessoalmente prefira janeiro’’, esquiva-se Magalhães. ‘‘Temos de correr com a reforma, mas precisamos ver o que é possível para não sair atropelando o Regimento’’, afirmou o líder, cauteloso.
Sem falar em datas, o líder do governo demonstrou otimismo em relação à possibilidade de aprovação da proposta de reforma previdenciária na comissão especial a ser instalada nesta terça-feira. Na sua opinião, os líderes aliados do governo foram cuidadosos na hora de indicar os integrantes da comissão. ‘‘Ela está bem escolhida’’, avaliou. Nem mesmo o temperamento polêmico do presidente da comissão, deputado José Lourenço (PFL-BA), preocupa o líder do governo.

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