Comissão sabia do superfaturamento
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de julho de 2000
Eugênia Lopes e Carmen Kozak Agência Estado De Brasília 
As notas taquigráficas das reuniões da Comissão Mista de Orçamento do Congresso, que destinou verbas para a obra do Fórum Trabalhista de São Paulo, mostram que os parlamentares autorizaram R$ 18 milhões, em 1997, sabendo que havia superfaturamento. As notas revelam ainda que outras obras com indícios de irregularidades foram aprovadas por deputados e senadores, sob a alegação de que não tinham responsabilidade em relação a essa análise.
As notas confrontam os argumentos utilizados pelo sub-relator da emenda que destinou a verba, deputado João Coser (PT-ES), que sustenta ter dado parecer pela liberação de R$ 18 milhões por desconhecer as irregularidades. Sabemos que é uma obra cara, que tem problemas, mas infelizmente ela tem de ser concluída, afirmou Coser, na sessão do dia 10 de dezembro de 1996.
Nessa reunião, o sub-relatório do petista foi aprovado, e foi dele também o parecer contrário ao destaque do deputado Giovanni Queiroz (PDT-PA), que pedia o bloqueio de recursos para a obra. Há uma semana, Coser vem sustentando que acatou a emenda também por desconhecer as irregularidades. Só se eu tivesse bola de cristal, disse à Agência Estado na quinta-feira.
Coser disse ainda que se reuniu com o então presidente do TST, Ermes Pedro Pedrassani. Segundo ele, Pedrassani concordava com as reservas que os parlamentares tinham em relação aos recursos solicitados. (...) concorda com todo o Congresso e com a nossa avaliação de que aquela obra está tendo um valor acima do que poderia ou deveria ter, mas, no estágio em que ela está, não temos mais condições de paralisá-la, relatou Coser, para concluir: Portanto, esse é um sacrifício que o País está fazendo.


