Agência Estado
De Brasília
A CPI do Judiciário vai investigar os motivos de o empresário Fábio Monteiro de Barros Filho ter omitido em seu depoimento a informação sobre a transferência para Brasília da sede da Construtora Ikal. A comissão só tomou conhecimento da mudança há cerca de uma semana, quando seus técnicos vistoriaram os documentos relacionados à empresa na Junta Comercial de São Paulo. A Ikal, antes conhecida por Incal, é acusada pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas da União de ter desviado R$ 169 milhões dos R$ 223 milhões destinados às obras do fórum trabalhista do São Paulo.
A construtora é hoje alvo de uma ação por abandono do imóvel e despejo por falta de pagamento que tramita no Tribunal de Justiça do Distrito Federal. A ‘‘sede’’ da empresa - na verdade apenas uma sala - permanece fechada, aguardando a decisão da Justiça, depois de funcionar no Setor de Diversões Sul, próximo à rodoviária. Ali também estão instalados o Cine Ritz, com shows diários de strip-tease e de sexo ao vivo no palco, igrejas evangélicas, bares, restaurantes, livrarias e lojas. O dono do imóvel, empresário Abdala Carim Nabut, é o secretário de Transportes do governador Joaquim Roriz (PMDB).
Até outubro do ano passado - coincidentemente quando foi suspenso o repasse de recursos para as obras do fórum - a Ikal recebia regularmente a visita de Barros. No final do ano, os cerca de 10 empregados começaram a ser demitidos sem receber os direitos trabalhistas.

mockup