Agência Estado
De Brasília
A CPI do Narcotráfico vai pedir ao Ministério Público ações judiciais contra donos de casas de câmbios, funcionários e gerentes de bancos que participam dos esquemas de lavagem de dinheiro. Segundo o presidente da comissão, Magno Malta (PTB-ES), já existem indícios da conivência de bancários com o crime organizado. ‘‘O Hildebrando Pascoal foi acusado de crime financeiro porque movimentava uma conta de um laranja’’, afirmou Malta. ‘‘Com certeza o gerente do banco sabia disso’’.
A idéia de pedir ações contra funcionários de instituições financeiras partiu do relator da CPI, Moroni Torgan (PSDB-CE). Delegado federal licenciado, Torgan passou pelas mesmas dificuldades de outros policiais para conseguir avançar em uma investigação envolvendo quebra de sigilo bancário. Hoje, o problema não é mais a autorização judicial, mas a demora dos bancos em fornecer informações sobre seus clientes.
O tempo mínimo que se gasta para abrir o sigilo de um cliente é de dois meses, o que normalmente atrasa um inquérito em até 90 dias. Há casos no setor de combate ao crime organizado da PF em que os pedidos são respondidos até com um ano de atraso. ‘‘Só temos facilidades quando as contas são novas, mas se são de clientes antigos fica difícil trabalhar’’, diz um delegado da PF. ‘‘Depois de tudo, ainda temos que passar os dados para a perícia.’’
Para o diretor de Fiscalização do Banco Central, Luiz Carlos Alvarez, se os bancos fizerem um controle sério da movimentação bancária suspeita a lavagem será reduzida efetivamente. Ele disse que essa mentalidade já está se formando, depois da aprovação da lei contra crimes de lavagem de dinheiro, há um ano e meio. Hoje, o BC já recebe informações sobre movimentações bancárias suspeitas, determinadas pela lei.

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