Brasília - Depois de três anos e meio de trabalho, a Comissão Interministerial constituída pelo governo federal para encontrar restos mortais de militantes políticos que combateram na guerrilha do Araguaia não conseguiu resgatar nenhuma ossada dos corpos procurados. Apresentado ontem em Brasília, o relatório sobre as iniciativas da comissão registra que as Forças Armadas informaram ter destruído, com base na legislação, todos os documentos relativos às operações militares realizadas na ocasião.
O documento de dez páginas lista nove recomendações, entre elas a de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determine às Forças Armadas a realização de uma ''rigorosa investigação formal para a construção de quadro preciso e detalhado das operações realizadas na guerrilha, intimando, ouvindo formalmente os agentes ainda vivos'' no prazo de 120 dias. Essa determinação consta de sentença judicial, que ainda precisa da confirmação do Superior Tribunal de Justiça.
A guerrilha do Araguaia foi um movimento armado, organizado pelo PC do B no final dos anos 60, na região do Pará. Cerca de 70 militantes teriam participado da guerrilha. Hoje, 61 continuam desaparecidos.
Em entrevista, o ministro Paulo Vanucchi (Direitos Humanos), um dos signatários do relatório, afirmou que a comissão ''não aceita que a informação'' das Forças Armadas seja definitiva. Vanucchi disse ter ''convicção'' de que o presidente Lula acatará a recomendação da comissão e também que as Forças Armadas irão cumpri-la.
A comissão lista três missões de campo frustradas em busca de ossadas. O grupo sugere que as expedições continuem. Hoje existem dez ossadas de militantes políticos recuperadas. Estão sendo trabalhadas em laboratório para que sejam confrontadas com amostras de sangue de familiares.
Além de Vanucchi, assinam o relatório os ministros Waldir Pires (Defesa) e Dilma Rousseff (Casa Civil), além dos ex-ministros Márcio Thomaz Bastos (Justiça) e Álvaro Ribeiro Costa (Advocacia Geral da União).

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