Arquivo FolhaTransparênciaSenador José Eduardo: ‘‘Um governo é público e não pode ter acordos sigilosos’’Integrante da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), o senador José Eduardo Vieira (PTB-PR) avaliou que a decisão de ontem da comissão, de negar - ou pelo menos não votar - a liberação do socorro federal de R$ 3 bilhões ao Rio de Janeiro, ‘‘revela uma postura de coesão e muito rigor’’ de seus integrantes, na análise dos financiamentos para os Estados.
‘‘A CAE deve passar a autorizar empréstimos apenas aos Estados com efetivas condições de pagamento’’, observou José Eduardo. Segundo ele, essa tendência não é isolada, nem revela intenções políticas. Na sessão de ontem - que acabou adiando para a próxima terça-feira a discussão sobre o caso do Rio de Janeiro, o que inviabilizou o leilão de privatização do Banerj -, compareceram 16 senadores ‘‘e dez deles deram voto contra, inclusive eu’’, informou o senador.
Para o senador - que preside o PTB nacional -, só Estados que tratarem de seu endividamente com muita transparência vão sobreviver ao rigor. ‘‘Um governo é público e não pode ter acordos sigilosos’’, emenda.
Na nova fase, que o senador define como ‘‘moralizadora dos orçamentos e gestões públicas’’, ‘‘os credores de governos ou entidades afins que ponham as barbas de molho’’, alerta o senador. ‘‘O pensamento de que é seguro fazer negócios com o poder público porque ele não quebra está perto do fim’’, diz.
José Eduardo defende como a mais correta a decisão de não autorizar empréstimos federais de R$ 3 bilhões ao RJ. ‘‘Seria privilegiar 12 mil funcionários do Banerj em prejuízo de um milhão de favelados do Rio’’, compara. O senador afirma que com esse volume de recursos, a Caixa Econômica Federal poderia construir até um milhão de casas populares para melhorar as favelas.
‘‘Essa mudança de postura do Senado é boa para a população porque passará a exigir a prestação de contas de todos os Estados de forma igualitária’’, resume José Eduardo. Para quem aponta tratamento privilegiado ao Rio Grande do Sul e São Paulo numa sessão recente da CAE, José Eduardo diz que os dois Estados cumpriram com as exigências para garantirem os recursos federais. Mesmo que, no caso gaúcho, tenha sido por via judicial em se tratando da revelação dos termos do contrato do governo de Antonio Britto com a GM Automóveis.

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