Comissão quer fim do asilo de Stroessner
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segunda-feira, 29 de maio de 2000
France Presse De Assunção 
O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados do Brasil, Marcos Rolim (PT-RS), disse ontem que os deputados pedirão ao presidente Fernando Henrique que revogue o asilo concedido em 1989 pelo governo brasileiro ao ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner.
Derrubado em 1989 em um golpe liderado pelo então chefe do Exército paraguaio, general Andrés Rodríguez (que já morreu), Stroessner se refugiou no Brasil, onde viveu primeiro em Guaratuba (PR) e, atualmente, vive em Brasília.
Rolim anunciou a intenção de pedir a suspensão do asilo do ex-ditador após visitar em Assunção o Arquivo do Terror, o arquivo secreto da polícia de Stroessner descoberto em 1992 pelo advogado Martín Almada, ex-exilado político durante a ditadura e conhecido defensor dos direitos humanos.
No arquivo, Rolim disse ter encontrado novos testemunhos de tortura, desaparições e outros fatos graves que têm que sensibilizar o presidente Fernando Henrique Cardoso para a revogação do asilo, para que Stroessner possa ser julgado por sua responsabilidade em tais fatos.
A Comissão de Direitos Humanos brasileira vai receber nesta semana 10 mil cópias do Arquivo do Terror, com provas para julgar Stroessner, segundo disse o advogado Augustino Pedro Veit, assessor da comissão. Veit esteve revisando os arquivos da polícia política da ditadura paraguaia (1954-1989) onde constam provas da Operação Condor.


