Curitiba - Dois deputados de oposição na Assembléia Legislativa, Durval Amaral (PFL) e Valdir Rossoni (PSDB), conseguiram ocupar a presidência e a relatoria da Comissão Especial que vai avaliar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que proíbe a prática do nepotismo nos três poderes do Estado enviada à Casa pelo governador Roberto Requião (PMDB). E a primeira medida sugerida por Rossoni, que será o relator, é contratar advogados constitucionalistas que não prestem serviços à Assembléia para analisar se a PEC pode ou não ser votada este ano.
A Comissão Especial é composta por deputados dos partidos que possuem as maiores bancadas na Casa. Os membros são, além de Rossoni, que é o líder da oposição na Assembléia, e Amaral, Elton Welter (PT), Caíto Quintana (PDMB) e Luiz Carlos Martins (PDT). O relator da Comissão explicou que os deputados querem um parecer isento para não ficarem com o carimbo de não querer votar a PEC enviada pelo governador. ''Mas não podemos entrar no jogo do governador também. Por isso vamos sugerir que se contrate os melhores juristas do Brasil'', justificou.
Rossoni questionou o parecer emitido pela assessoria jurídica da Casa, afirmando que não houve isenção na análise. ''O próprio governador foi taxativo sobre isso ao afirmar que os deputados fugiram para não votar sua PEC, uma vez que sabiam que não poderiam votá-la este ano'', ironizou. Se o parecer dos juristas contratados for pela inconstitucionalidade, o líder da oposição afirmou que a Comissão vai analisar o que fazer.
Para o relator da Comissão o presidente da Assembléia, deputado Hermas Brandão (PSDB), decidiu prosseguir com a votação da PEC apresentada por Requião, mesmo sabendo da inconstitucionalidade, porque está em uma encruzilhada. ''Se ele respeitasse a Constituição não seria votado. Mas ele está respeitando a opinião pública. O que é certo é que nós não podemos brincar de emendar a Constituição'', afirmou.
A polêmica começou na segunda-feira, depois que Brandão anunciou que a proposta do governador não poderia ser votada porque as Constituições Federal e Estadual proíbem que se vote duas PECs sobre o mesmo tema no mesmo ano. Entrentanto, na terça-feira, Brandão mudou de opinião e afirmou que iria colocá-la em votação para não assumir o desgaste político.

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