Curitiba - Descobrir quem foram os responsáveis por tornar o Banestado a porta de entrada para um esquema bilionário de lavagem de dinheiro; encontrar quem se beneficiou dos desvios da Banestado Leasing; e finalmente entender os motivos que levaram um banco que chegou a valer US$ 500 milhões a quebrar. Esses são os principais objetivos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai investigar as irregularidades ocorridas no banco paranaense, hoje de propriedade do banco Itaú.
Os deputados começam o trabalho com um volume impressionante de documentos. Só o material encaminhado pelo Banco Central ao Ministério Público Federal (MPF), a que os deputados também pretendem ter acesso, contém 22 mil páginas. Além disso, o presidente da comissão, deputado Neivo Beraldin (PDT), fez uma lista de solicitação de documentos composta por 39 itens. O primeiro deles se divide em balanço geral, demonstrações financeiras e parecer de todas as auditorias feitas entre 1995 e 2000, de todas as empresas que integravam o Conglomerado Banestado (13 no total).
A lista dos convidados a depor também é extensa. A princípio são 30 pessoas, entre ex-presidentes e ex-gerentes do banco e de algumas das empresas do conglomerado, funcionários do Banco Central e auditores que participaram do processo de saneamento, técnicos, sindicalistas e membros do Conselho de Administração da Banestado Leasing.
Beraldin diz que a relação de documentos e de pessoas convocadas para depor foi elaborada pensando em ''fechar o cerco'' àqueles que cometeram irregularidades. ''Alguns nomes são estratégicos para alcançarmos certos objetivos'', diz o deputado.
Diante da complexidade do assunto, o deputado já adianta que 120 dias podem ser insuficientes para a conclusão dos trabalhos. ''CPI é uma coisa aberta. A gente sabe quando começa, mas não pode prever o seu fim'', adiantou.
Amanhã, às 10 horas, haverá o primeiro depoimento, que é do ex-presidente Luiz Antônio Fayet. Ele respondeu pela administração do banco durante os 11 primeiros meses de 1995. E promete apresentar aos deputados sugestões de como conduzir os trabalhos e do que investigar. Fayet adianta que vai entregar aos integrantes da comissão uma cópia do programa de trabalho que elaborou antes de assumir a presidência, bem como um relatório de cumprimento deste mesmo programa.
O atual secretário de Administração, Reinhold Stephanes, também deve ser chamado a depor, mas a data ainda não está confirmada. Ele comandou o processo de saneamento do Banestado, de 1999 a outubro de 2000, quando então o banco foi vendido ao Itaú. Stephanes, no entanto, acredita que não terá grandes contribuições à oferecer aos deputados. ''As irregularidades aconteceram antes de eu assumir'', justificou.
Na análise de Stephanes, no entanto, a atuação do Banco Central em relação ao Banestado foi muito falha. ''Eles (BC) foram ineficientes'', disse, referindo-se tanto à questão das contas CC-5 quanto ao processo administrativo, que acabou provocando a falência da instituição.



Os convocados:

Banco Banestado:
- Ex-presidentes
- Luiz Antonio Fayet
- Domingos Murta Ramalho
- Manoel Garcia Cid (Neco Garcia)
- Reinhold Stephanes
- Ércio Santos - gerente da agência de Nova York
- Paulo da Rocha Krieger - diretor administrativo e membro do Comitê de Crédito
- Marçal Ussui Sobrinho - gerente de auditoria
- Gabriel Nunes Pires Neto - diretor de Câmbio e Crédito
- Alaor Alvim Pereira - diretor Financeiro e de Câmbio e Operações Especiais
- Georg Ernest Wieler - gerente da Divisão de Contabilidade
- José Evangelista de Souza - vice-presidente
- Gilson Girardi - responsável pela assinatura da Cláusula de Estipulação e consenso (multa de US$ 75 mil)
- Valter José Benelli - gerente de auditoria
- Canuto José Custódio Neto - assessor da Diretoria Financeira e chefe da Controladoria
- Kemji Iwamoto - chefe da Divisão de Contabilidade
- Nilton Hirt Mariano - gerente da Divisão de Operações Especiais
- Arnoldo Afonso de Oliveira Pinto - chefe do Dep. Jurídico
- Domingos Matias da Silva - gerente de auditoria
- Eliodi Werneck de Andrade - assessora da vice-presidência
- Elio Poletto Panato - diretor da área de Fomento

Da Banestado Leasing:
- Cyro Jackson Sandrini - diretor da Leasing
- Luiz Antônio de Lima - diretor de Operações da Leasing
- Arlei Mário Pinto de Lara - Leasing
- Oswaldo Rodrigues Batata - diretor da Leasing
- Mário Fernandes Correia Vargas - membro do Conselho de Administração da Leasing.

Da Banestado Corretora:
- Sérgio Druszcz - diretor da Banestado Corretora
- Luiz Sérgio Molinari - Banestado Corretora

Outros:
- Daniel Passos - técnico do Dieese e Sindicato dos Bancários
- Gerentes de informática
- Técnicos do Banco Central de Curitiba


Quem integra a CPI do Banestado:

- Neivo Beraldin (PDT) - presidente
- Luciano Ducci (PSB) - vice
- Elza Correia (PMDB) - relatora
- Ademir Bier (PMDB)
- Pedro Ivo Ilkiv (PT)
- Luciana Rafagnin (PT)
- Nelson Justus (PFL)
- Milton Puppio (PTB)
- Francisco Buhrer (PSDB)
- Ailton Araújo (PTB)
- Waldyr Leite (PPS)

Quem integra a CPI dos Jogos da Natureza

- Dobrandino da Silva (PMDB) - presidente
- Plauto Miró (PFL) - vice-presidente
- Fernando Ribas Carli (PPB) - relator
- Renato Gaúcho (PDT)
- Elton Welter (PT)
- Luiz Fernandes Litro (PSDB)
- Valdir Rossoni (PTB)


Quem integra a CPI da Paranacidade:

- José Maria Ferreira (PDT) - presidente
- Élio Rusch (PFL) - vice-presidente
- Artagão Jr. (PMDB) - relator
- Padre Paulo (PT)
- Luiz Fernandes Litro (PSDB)
- Cida Borghetti (PPB)
- Jocelito Canto (PTB)


Os integrantes da CPI Copel/Sercomtel:


1 - Marcos Isfer (PPS), presidente
2 - Ademar Traiano (PSDB), vice-presidente
3 - Ratinho Júnior (PSB), relator
4 - Alexandre Khury (PMDB) - responsável pela parte da Sercomtel
5 - Luiz Accorsi (PTB) - investiga compra e venda de energia por parte da Copel
6 - Tadeu Veneri (PT) - encarregado da compra de créditos tributários pela Copel
7 - Vanderlei Iensen (PDT) - concentra esforços nas subsidiárias da estatal de energia
8 - Fernando Ribas Carli (PPB)
9 - Durval Amaral (PFL)

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