A última sessão daquele que se desenha, de longe, como o pior semestre da história da Câmara de Londrina - 13 ações cíveis e criminais; sete parlamentares afastados; um renunciado e um cassado - terminou ontem com uma censura escrita ao vereador afastado Osvaldo Bergamin (sem partido), alvo de uma representação à Comissão de Ética, no dia 1º de abril, ante a suspeita de manter em seu gabinete uma assessora fantasma. Apontado no relatório entregue ontem à Mesa como autor de atentado ao decoro, Bergamin tivera questionado pelo então corregedor da Casa, o atualmente afastado Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), o caso da assessora comunitária Vanderléia Faria da Mota.
Em gravação feita pela imprensa no começo de março, Vanderléia se apresentara, ao telefone, como dona de um salão de cabeleireiro na própria residência, na Zona Oeste de Londrina, comércio em que atenderia ''de terça a sábado'' no horário marcado pelo cliente. O caso passou a ser investigado também pelo Ministério Público, em cujo procedimento instaurado foram ouvidos outros quatro assessores do gabinete do vereador - nenhum dos quais conseguiu comprovar a frequência ao trabalho. Em entrevista, no dia da gravação, Vanderléia negara fazer da Câmara ''um bico'', mas não soube explicar em quais horários, exatamente, cumpria expediente no Legislativo.
Apesar de a gravação ter balisado o início dos trabalhos do MP e ter servido de mote para o pedido de investigação na própria Câmara, em abril, o relatório divulgado ontem deixa claro que o material não foi solicitado para analisar o caso - apenas depoimentos de ex-assessores foram considerados. Neles, era afirmado, em síntese, que Vanderléia trabalhava pelo gabinete, mas em local e horário não sabidos. Sobre isso, concluiu o relatório da Comissão de Ética, assinado pelo relator, Lourival Germamo (PT), e pelo presidente do grupo, Roberto Kanashiro (PSDB), ''ao menos esporadicamente'' Vanderléia dava expediente no Legislativo. ''É bem verdade que, tratando-se de servidora comunitária, inexistia qualquer tipo de controle sobre o que realmente fazia e sobre os contatos mantidos com a comunidade.'' Mesmo assim, finaliza o documento, vale a orientação da Procuradoria Jurídica da Casa: ''A manutenção de uma servidora 'fantasma' não se amolda ao tipo legal da conduta incompatível com o decoro parlamentar'' - daí o atentado punido com a advertência por escrito.
O relator da Comissão lembrou do pedido de regulamentação dos cargos de assessor parlamentar de gabinete, comunitário e assistente de gabinete, todos com cartão-ponto - medida proposta no relatório - como atenuante a uma possível interpretação de pena branda ao vereador afastado, pelo mesmo documento. ''Tivemos conhecimento do Código de Ética (escrito em 2003), na prática, apenas no início deste ano. A Câmara agora está com um novo comportamento, tanto que quer alterar o Código de Ética para aperfeiçoá-lo'', discursou, sem explicar o porquê de a gravação com Vanderléia não ter sido analisada. A Câmara volta do recesso dia 5 de agosto - sem previsão de convocação dos suplentes de quatro vereadores afastados.

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