Comissão Processante começa a ouvir testemunhas do caso Anne
Vereadora é acusada de usar assessores de gabinete como advogados particulares; defesa nega
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segunda-feira, 11 de maio de 2026
Vereadora é acusada de usar assessores de gabinete como advogados particulares; defesa nega

A CP (Comissão Processante) que investiga a vereadora Anne Moraes (Avante) começa a ouvir nesta terça-feira (12), a partir das 8h, as testemunhas indicadas pela parlamentar e pela comissão. A acusação é de que Anne teria utilizado assessores de gabinete, que são advogados, para defendê-la em processos particulares, sem relação com o trabalho na CML (Câmara Municipal de Londrina).
Entre as testemunhas indicadas estão os advogados Rafael Carlos da Silva Zandonadi, Pedro Lucas Sterchille e Régis Cotrin Abdo, que atuaram no gabinete da vereadora no começo de 2025. Eles foram arrolados tanto por Anne quanto pela CP, que deseja fazer questionamentos aos três.
A CP foi aberta pelo plenário da Câmara no dia 7 de abril e deve concluir seus trabalhos até meados de julho. A defesa de Anne pediu o impedimento da presidente da comissão, vereadora Michele Thomazinho (PL), alegando um “histórico de litigiosidade judicial” entre as duas. A Procuradoria Legislativa, no entanto, não viu elementos suficientes para declarar a suspeição de Thomazinho.
A defesa também pediu a retirada dos documentos de uma ação civil pública do MPPR (Ministério Público do Paraná) que apura a mesma denúncia contra Anne. A ação foi ajuizada em setembro de 2025, e a representação na CML foi protocolada antes, em abril de 2025, pela ex-coordenadora de campanha de Anne.
A CP concordou parcialmente com o pedido, mas os depoimentos dos ex-assessores prestados no âmbito judicial ainda poderão ser utilizados no processo na Câmara.
O entendimento da Procuradoria é de que os depoimentos “foram produzidos pelas próprias testemunhas indicadas pela denunciada”, “versam sobre fatos diretamente relacionados ao objeto da denúncia” e “sua utilização não importa extensão da moldura acusatória, mas mera instrução dos fatos já delimitados”.
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O QUE PESA CONTRA ANNE
Segundo a denúncia investigada na CML, a vereadora nomeou um advogado em janeiro de 2025 para trabalhar em seu gabinete, com salário superior a R$ 9 mil e carga horária de 30 horas semanais. A acusação é de que, durante o horário de expediente e nas dependências do Legislativo, o servidor teria atuado como advogado particular de Anne, inclusive participando de uma audiência a partir da CML. A denúncia sustenta ainda que, após a exoneração desse servidor, outros advogados passaram pelo gabinete e teriam assumido ações judiciais envolvendo a parlamentar.
Já a defesa de Anne sustenta que as “atuações em processos particulares da parlamentar decorreram de contratos privados, firmados antes das nomeações ou de colaborações pontuais sem custo público”.
“Não houve, assim, uso de estrutura do Legislativo para fins pessoais, nem prejuízo às funções públicas, já que os assessores poderiam exercer outras atividades profissionais particulares além da assessoria parlamentar, por ausência de vedação da legislação que rege os cargos em questão”, afirmou em nota o advogado Maurício Carneiro.


Douglas Kuspiosz
Repórter com foco em Política e Cidades.





