A comissão permanente de negociação criada no decreto municipal 285/2007 na última segunda-feira foi apresentada ontem pela administração municipal, na quarta rodada de negociação com a categoria, como alternativa à reivindicação das cláusulas econômicas constantes de uma pauta de 28 itens. Se em tese o grupo estudará a evolução das receitas da Prefeitura para indicação de um índice de reposição, na prática, ele deverá servir para ''confirmar aquilo que o Executivo tem dito'' - ou seja, que não há caixa para repor a defasagem salarial de seis anos. A afirmação é do secretário municipal de Gestão Pública, Jacks Dias.
A nova rodada serviu para oficializar a comissão prevista no Estatuto dos Servidores. A medida era reivindicada desde o fim da greve de 31 dias de 2005 pelo sindicato que representa a categoria, o Sindserv; em 2006, foram outros 106 dias de paralisação pela reposição então acumulada em 27% - atualmente, superou os 30%.
A reunião de ontem era aguardada como oportunidade de negociação de aspectos econômicos - se não o índice de reposição, a suspensão do desconto dos dias parados em 2006. Segundo o presidente da entidade, Marcelo Urbaneja, a posição seria levada à assembléia geral da categoria, no próximo dia 31.
''Não pudemos apresentar solução financeira: a comissão que levantará os dados da nossa arrecadação e apontará os caminhos'', disse o secretário. ''O grupo vai, na verdade, acatar o que está sendo dito por nós, pois confirmará que, pela Lei de Responsabilidade, não temos condições de aumentar a folha'', sentenciou.
O presidente do Sindserv admitiu o avanço na negociação, mas criticou a declaração de Dias. ''Essa será, na verdade, uma forma oficial de termos acesso a sete anos de finanças desse governo. Em 2006, criaram cargos comissionados e gratificações localizadas que impactaram a folha de pagamento. agora vamos ver o que acontece'', disse.

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