Às vésperas de completar um ano, a maior greve da história da Prefeitura de Londrina - 106 dias de paralisação, entre agosto e novembro de 2006 - ainda não viu sair do papel um dos principais pontos da negociação que se arrasta há meses entre a administração e o sindicato que representa a categoria, o Sindserv. Aliás, é mesmo só no papel que figura a comissão permanente de negociação, composta por dez membros indicados pelo Executivo, dez representantes do sindicato e que desde o último dia 8 já deveria estar em funcionamento, conforme o decreto de maio.
O decreto que estabeleceu os prazos é datado de 7 de maio e leva as assinaturas do prefeito Nedson Micheleti (PT) e dos secretários Jacks Dias (Gestão Pública), Wilson Sella (Fazenda) e Adalberto Pereira da Silva (Governo). O documento definiu não apenas que a comissão permanente de negociação - prevista no artigo 292 da Lei Municipal 4.928/92, o Estatuto do Servidor - tivesse definida a indicação dos membros no prazo máximo de 30 dias, contados a partir da publicação do decreto, como também um prazo de regulamentação do funcionamento de 30 dias a partir da portaria de nomeação dos integrantes do grupo.
Ontem, ficou latente o desencontro de informações entre sindicato e Prefeitura quanto aos prazos para o funcionamento da comissão. Na prática, a função do grupo será acompanhar a evolução das receitas da administração para definir se haverá, e de quanto seria, o índice de reposição à categoria. Pelos cálculos do Dieese, o servidor municipal de Londrina, em mais de seis anos sem reposição, acumula uma defasagem salarial superior a 30%.
Conforme o secretário de Gestão Pública, para a comissão começar a funcionar, ''só falta organizar (o grupo), pois há um prazo a partir da indicação dos nomes''. Dias não soube precisar as datas. A assessoria de comunicação, porém, informou que a própria Gestão assinou a Potaria 722, em 8 de junho passado, instituindo os integrantes. Seria a partir dali, portanto, que correria o prazo de um mês para início das atividades.
O presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, afirmou ter sabido pela reportagem da portaria da Gestão Pública. ''Para nós, já estava para completar 30 dias, amanhã (hoje), da extrapolação do prazo para instituir a comissão. Estávamos aguardando para depois não falarem que somos intransigentes, mas como acompanhamos o Diário Oficial do Município e não vimos a edição dessa portaria, nem a recebemos por ofício, como de costume, agora é pegá-la para começarmos os trabalhos'', disse.

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