'Comissão' para deputados teria vindo de Malucelli
Outra vertente da investigação seria o suposto empréstimo de R$ 1 milhão feito por Sérgio Malucelli no final de 2010 para o prefeito Barbosa Neto. Tal recurso teria sido utilizado para pagar ''comissão'' a dois deputados do Rio de Janeiro que apresentaram emendas no valor de R$ 18 milhões para Londrina. O empresário Wilson Vieira - em depoimento ao Ministério Público no dia 30 de maio do ano passado, como desdobramento da operação Antissepsia, que investigou desvios na Saúde - confirmou a entrega de R$ 925 mil a um suposto assessor de um dos deputados.
Malucelli era esperado ontem para confirmar o empréstimo e entregar aos promotores a nota promissória que teria sido assinada pela primeira-dama Ana Laura e por Wilson Vieira, atestando a dívida de R$ 1 milhão, conforme declarou informalmente aos promotores na semana passada. ''Diante do não comparecimento, vamos intimá-lo para ser ouvido em outra data'', declarou o delegado do Gaeco, Alan Flore, que também espera saber qual a razão da presença de Malucelli na antessala do gabinete do prefeito em 24 de abril, dia da prisão em flagrante do ex-secretário Marco Cito e do empresário Ludovico Bonato, após terem entregue propina de R$ 20 mil ao vereador Amauri Cardoso (PSDB).
No ano passado, Wilson Vieira declarou aos promotores que em dezembro de 2010 que teria entregado R$ 350 mil para uma pessoa hospedada no Hotel Golden Blue, identificada apenas como JB, que seria assessor de um deputado, e que no apartamento estaria também o ex-secretário de Planejamento de Barbosa Fábio Goes. Em uma segunda ocasião, cerca de dez dias depois, levou R$ 575 mil para o mesmo JB, que estava no Hotel Blue Three. A operação Antissepsia revelou que teria vindo de Vieira o valor de R$ 20 mil entregue pelo ex-presidente do Instituto Atlântico Bruno Valverde ao prefeito e a primeira-dama como propina para a contratação futura do instituto pela Prefeitura. Logo depois do episódio, Góes demitiu-se e voltou para a Bahia, seu estado natal.
O Ministério Público Federal (MPF) investiga os pagamentos. O procurador da República, Luiz Antonio Ximenes Cibin, decretou sigilo no procedimento, após ter ouvido Vieira. ''Vamos também encaminhar esta parte da investigação sobre a suposta origem do dinheiro para o MPF'', declarou o promotor Renato Castro.
Apesar da suposta nota promissória, a dívida ainda não teria sido paga por Barbosa, o que teria motivado Malucelli tornar pública a denúncia. Segundo o vereador Joel Garcia (que confirmou praticamente toda a denúncia anônima), Malucelli lhe confidenciou há alguns dias que ''foi procurado pelo prefeito Barbosa Neto, o qual se fazia acompanhar pela sua esposa, Ana Laura, Wilson Vieira e Fábio Góes, tendo o pefeito lhe solicitado R$ 1 milhão, haja vista que precisaria entregar essa importância a dois deputados do Rio de Janeiro que estariam fazendo emendas para angariar recursos federais para Londrina''.
Joel afirmou ainda que Malucelli lhe informou que ''já teria realizado várias cobranças ao prefeito, porém, este não teria pago''. Em uma das últimas cobranças, teria dito Malucelli ao vereador, ''o prefeito teria declarado que iria pagá-lo, haja vista que receberia o montante de R$ 5 milhões de uma empresa que atua na área de saneamento urbano, referente à licitação do lixo que geraria um contrato de R$ 121 milhões''. Ainda segundo o vereador, Malucelli teria lhe dito que, segundo o prefeito, metade do valor seria para ele (Barbosa) e metade para André Nadai.
O presidente da CMTU, no entanto, afirmou que nunca teve contato com a empresa de saneamento citada nas investigações. ''Essa licitação já foi publicada três vezes e atualmente está suspensa por decisão do Tribunal de Contas. Em nenhum momento a empresa veio para visitas técnicas, nem apresentou proposta.'' Nadai disse, ainda, não ter informações sobre o suposto empréstimo de Malucelli para o prefeito.
Wilson Vieira não foi localizado e, segundo informações de uma funcionária da empresa dele, está em viagem e deve retornar apenas no final da próxima semana. O advogado Luiz Carlos Mendes, que defende Ana Laura Lino, estava com o celular desligado. A reportagem deixou recado, mas não houve retorno. (L.C./E.F.)





