Comissão para apurar morte de Jango se instala amanhã
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segunda-feira, 22 de maio de 2000
Sônia Cristina Silva Agência Estado De Brasília 
Está marcada para amanhã a instalação da comissão externa da Câmara Federal criada para esclarecer em que circunstâncias morreu o ex-presidente João Goulart, em dezembro de 1976, na província de Corrientes (Argentina). Os deputados têm seis meses para coletar documentação e ouvir depoimentos. Se necessário, a comissão pedirá a autorização dos familiares para a exumação do cadáver do ex-presidente e realização de exame de DNA. A comissão contará com o apoio da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que está verificando a existência de informações nos arquivos.
Autor do pedido de criação da comissão, o líder do PDT, deputado Miro Teixeira (RJ), afirmou que os deputados vão ter acesso também às cartas que Jango escreveu ao filho, João Vicente, relatando as precauções que vinha adotando. Em uma destas cartas, João Goulart disse que voltaria ao Brasil, mas que, antes, pediria audiência com o papa para dar repercussão ao fato e evitar problemas, contou Miro Teixeira. A comissão está praticamente completa. Falta apenas o PPB indicar o seu representante. Depois de instalada, a comissão elegerá o presidente e o relator e vai definir o cronograma de trabalho.
O porta-voz da Presidência da República, Georges LamaziSre, reafirmou ontem que as respostas do governo brasileiro a respeito do desaparecimento de três argentinos que estavam no Brasil durante o regime militar devem ser respondidas até quinta-feira. Até o momento não se sabe de nenhuma necessidade de adiamento e a expectativa do presidente é que as informações estejam prontas no prazo fixado, dia 25, afirmou.
Esse prazo foi estabelecido pelo advogado-geral da União, Gilmar Ferreira Mendes, para que ele possa consolidar o questionário e encaminhar o conjunto de respostas ao Supremo Tribunal Federal (STF). O advogado-geral afirmou ontem que, até o momento, nenhuma das partes inquiridas pediu prorrogação de prazo para apresentar essas respostas.
A carta rogatória com quatro perguntas a respeito do desaparecimento dos argentinos foi enviada aos ministros Geraldo Quintão (Defesa), José Gregori (Justiça) e general Alberto Cardoso (Gabinete Institucional de Segurança). Cada um deles repassou aos órgãos subordinados, respectivamente Forças Armadas, Polícia Federal e Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Ontem, os comandantes do Exército, general Gleuber Vieira, e da Aeronáutica, brigadeiro Carlos de Almeida Baptista, passaram a tarde reunidos com suas assessorias jurídicas e seus serviços de inteligência.


