Por apenas um voto de diferença 5 a 4 , a Câmara de Vereadores de Tamarana (62 km ao sul de Londrina), aprovou ontem a abertura de uma Comissão Processante (CP) contra o prefeito Paulo Nakaoka (PMDB) e o vice, Plínio de Araújo Júnior (PTB).
No requerimento da comissão, assinado pelos munícipes Dener Martins Lisboa, José Maria Silvestre e Sebastião Valdecir Rosa, a abertura do processo que pode cassar os mandatos de Nakaoka e Araújo é justificada pela denúncia de que R$ 13,6 mil foram desviados da Prefeitura Municipal, em maio de 2002. O fato já gerou a formação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI), e no início do mês, uma ação civil pública foi ajuizada pelo Ministério Público (MP), denunciando o suposto desvio.
Conforme o depoimento prestado ao MP pelo proprietário da Farmácia Tamarana, Wagner Nascimento, em julho de 2001, ele teria sido procurado pelo vice-prefeito, que lhe teria oferecido um acordo para o pagamento da dívida da prefeitura com a farmácia de cerca de R$ 101 mil. A dívida seria recalculada em R$ 51 mil, mas parte desse valor R$ 13,6 mil teria de ser devolvido.
De acordo com o comerciante, no início de abril, Araújo teria voltado a procurá-lo para acertar a devolução. Nascimento disse que recebeu e endossou o cheque de R$ 13,6 mil, que teria voltado para as mãos de Araújo. O cheque teria sido endossado em favor de Cláudio Rodrigues Sales, para o pagamento de uma dívida de campanha feita por Nakaoka em outubro de 2000.
O vice-prefeito disse que confia no ''bom-senso'' dos vereadores. ''Não devo nada disso. Estão me caluniando. O interesse é político e tenho plena convicção que a justiça será feita. Não acredito em cassação de ninguém, mas deveria ser cassado quem usou o dinheiro'', afirmou Araújo. A Folha tentou entrar em contato com Nakaoka, mas ele não foi localizado.

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