A comissão especial da Câmara instalada ontem para investigar a morte do ex-presidente João Goulart, o Jango, vai pedir à Polícia Federal que garanta a segurança de seu túmulo, em São Borja. O líder do PDT na Câmara e relator da Comissão, deputado Miro Teixeira (RJ), afirma que a exumação dos restos mortais do ex-presidente poderá vir a ser necessária, já que há versões sustentando que Jango teria sido vítima de envenenamento ou de troca de remédios.
‘‘A exumação poderá ser necessária, mas não é o objetivo da Comissão’’, diz Miro. Segundo ele, a primeira providência será definir, hoje, a lista de depoentes. Já estão praticamente certos os convites para os deputados Neiva Moreira (PDT-MA) e Waldir Pires (PT-BA), bem como para o filho de Jango, João Vicente Goulart. Foi para João Vicente que o ex-presidente enviou cartas falando dos temores em relação à sua integridade física.
João Goulart morreu em 6 de dezembro de 1976, na fronteira da Argentina com o Brasil. A causa da morte, segundo o atestado de óbito, foi ataque cardíaco. A hipótese de troca de medicamentos é sustentada pelo ex-deputado estadual José Talarico em carta enviada ao chefe da Secretaria de Assuntos Institucionais da Presidência da República, general Alberto Cardoso.
A Comissão acredita ter possível obter elementos para ampliar as investigações para as mortes do ex-presidente Juscelino Kubitscheck, morto em 22 de agosto de 1976, e Carlos Lacerda, morto em 21 de maio de 1977. ‘‘Três lideranças importantes e de oposição ao regime militar morreram num intervalo de nove meses, a probabilidade histórica de isso acontecer em qualquer lugar do mundo é nula’’, sustenta Miro Teixeira.
Na carta enviada por José Talarico, o ex-deputado sustenta que ‘‘devido aos problemas cardíacos’’ Jango tomava diariamente remédios contra hipertensão, receitados por um cardiologista de Lyon, na França.
Quando acabaram, sustenta na carta, o ex-presidente teria pedido que despachassem mais remédios por intermédio do Hotel Liberty, de Buenos Aires. ‘‘As deduções foram que lhe mandaram medicamentos diferentes, em embalagens trocadas, para efeitos inversos, ou seja, para reativar a pressão.
Talarico apresenta como testemunha de sua versão o uruguaio Enrique Foch Diaz, ‘‘que tivera relações comerciais com o ex-presidente e fez declarações à imprensa uruguaia, denunciando que Goulart fora envenenado com a troca de medicamento’’. O ex-deputado estadual, que compareceu hoje à instalação da Comissão, cita, em sua carta ao general Cardoso, várias testemunhas que dividiriam com ele informações que reforçariam a tese do envenenamento.

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