Comissão investiga ligação do governo com eleição paraguaia
Curitiba - Um comissão de deputados de oposição deve viajar na próxima semana ao Paraguai para buscar informações sobre o envolvimento de integrantes do governo do Estado na campanha eleitoral para a presidência do país. Além de tentar descobrir se o secretário estadual da Comunicação, Airton Pisseti, realmente trabalha para a campanha de Fernando Lugo, os parlamentares pretendem investigar denúncias, publicadas pela revista IstoÉ, de que o governo paranaense estaria sendo usado como ponte para envio de recursos da Venezuela para o candidato paraguaio.
O líder da oposição na Assembléia, Valdir Rossoni (PSDB), afirmou que vai protocolar um pedido para que a Mesa Executiva da Casa autorize a viagem de uma comissão de deputados ao país vizinho. Caso a resposta seja positiva, o grupo parte já na semana que vem. Além de Rossoni, devem compor a comissão Ney Leprevost (PP), Plauto Guimarães (DEM) e Marcelo Rangel (PPS).
Para o tucano, não há dúvidas de que Pisseti teria cometido uma infração ao admitir que viajou várias vezes ao Paraguai para, segundo ele, contribuir voluntariamente para a campanha de Lugo. O secretário só se licenciou de seu cargo no governo na semana passada. ''O estatuto do servidor mostra que o secretário já está incorrendo em crime. Ele, como servidor público, não pode se ausentar do País recebendo salários aqui e dando assessoria a uma campanha de presidente'', disse Rossoni.
Além disso, Leprevost afirma que os deputados querem averiguar as denúncias publicadas pela IstoÉ. Segundo a revista, integrantes do governo estariam sendo usados para repassar a Lugo dinheiro enviado pelo presidente venezuelano Hugo Chávez. ''É uma comissão especial para investigar as relações do governo do Paraná com o possível financiamento de campanhas eleitorais no Paraguai'', disse.
Os oposicionistas criticaram ainda o encerramento do discurso do governador Roberto Requião ontem, na reabertura dos trabalhos Assembléia. Em defesa de Pisseti, Requião afirmou que, caso votasse no Paraguai, seu candidato seria Lugo. ''Ele só disse em quem vai votar, o que é um direito dele, mas não disse se existe apoio financeiro do governo do Paraná ou de qualquer outro país. Ele também não explicou o papel do secretário da Comunicação na campanha'', declarou Leprevost. (R.L.)





