Dois anos depois de realizado, o concurso público para o preenchimento de oito vagas na Câmara de Vereadores de Londrina - sete vagas de técnico legislativo e um de analista de informática - agora está sob suspeição. Instaurada em portaria do último dia 15, assinada pela Presidência, uma comissão de sindicância anunciou ontem que apura ''possíveis fraudes ou irregularidades'' no processo, com base em parecer da própria comissão que fiscalizou a execução do concurso, dois anos atrás, e também a partir de ''supostos rumores que merecem ser investigados''.
A comissão de sindicância é composta por quatro servidores efetivos - foi exatamente esse o número de interessados entre os 46 funcinários de carreira da Casa consultados para integrar o grupo. No parecer da comissão de fiscalização da prova realizada em 2006, para a qual houve perto de 10 mil candidatos inscritos, são classificadas de ''rumores'' situações como o fato dos primeiros colocados ter ''parentesco ou estreito grau de relacionamento com o vereador Henrique Barros'', preso em janeiro com R$ 9,9 mil supstamente fruto de propina. Outra situação elencada foi a aprovação de uma candidata, ''em boa colocação'', em situação idêntica ao primeiro caso, mas referente ao ex-presidente do Legislativo, o agora ex-vereador Orlando Bonilha.
De acordo com o presidente-relator da comissão de sindicância, o servidor Robson Luiz Ramos, o fato novo que teria ensejado a criação do grupo foi a constatação, pela comissão de fiscalização de 2006, ainda vigente, de que um dos possíveis laranjas de Bonilha na aquisição de terreno do Cemitério São Paulo - em licitação que teria sido fraudada, na Acesf, naquele mesmo ano, foi um dos melhores colocados no concurso. O certame, que acabou anulado há poucas semanas a pedido da atual superintendência da Acesf, teve 26 dos 80 lotes licitados adquiridos por pessoas que se admitiram usadas pelo ex-vereador.
Para Ramos, a suspeita é que ''o concurso não tenha sido hermeticamente perfeito naquilo que diz respeito à sua eficiência e legalidade, por várias coincidências que a princípio não passam de rumores''. Segundo ele, se constatadas as fraudes, pode ser recomendada a nulidade do concurso ou mesmo a abertura de Comissão Processante, na esfera administrativa. ''Se ficar constatado que alguém cometeu crime, na esfera penal isso será competência do Ministério Público apurar. Na área cível, também, terá de ser verificado qual direito foi lesado'', apontou. Por outro lado, o presidente da comissão ressalvou que, em caso de não se apurarem fraudes ao longo desses 30 dias de trabalho - nos quais os investigados podem, no máximo, ser convidados a depor, e não convocados -, a investigação recomendará o arquivamento do processo.

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