O Senado começou ontem a investigar o presidente licenciado do Congresso, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), ao criar uma comissão para apurar as denúncias contra ele. Diante disso, a expectativa é de que, dificilmente, Jader escapará de um processo de cassação por quebra de decoro parlamentar. A comissão aberta ontem pelo presidente do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, Gilberto Mestrinho (PMDB-AM), será formada por três senadores e terá 30 dias para apresentar um relatório sobre o caso.
Mestrinho avalia que o processo contra Jader no Senado vai durar de três a quatro meses. A comissão analisará documentos e tomará depoimentos de vários envolvidos no caso, entre os quais, o presidente licenciado e a ex-mulher dele, a deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA). Senadores de oposição e da base governista avaliam que, a partir de agora, o julgamento será ‘‘político’’ e, certamente, o Conselho de Ética recomendará à Mesa Diretora do Senado a abertura de processo por quebra de decoro.
No Senado, até mesmo peemedebistas admitem que a situação de Jader é insustentável. Colegas do presidente licenciado do Congresso avaliam que ele não enfrentará um processo de cassação e poderá renunciar ao mandato antes da formalização de uma representação pela Mesa por quebra de decoro, de forma a livrar-se da punição, seguindo o exemplo dos ex-senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José Roberto Arruda, envolvidos na fraude do painel eletrônico de votação.
Em meio a um quadro desfavorável, o PMDB ainda terá uma baixa importante no Conselho de Ética: Mestrinho pediu licença para tratamento de um tumor na próstata, deixando, como substituto, o vice-presidente, senador Geraldo Althoff (PFL-SC). A licença, inicialmente, deve ser de 30 dias. O partido, no entanto, tenta dar uma segunda chance ao presidente licenciado do Senado: indicou um dos fiéis aliados, o senador João Alberto Souza (PMDB-MA), para integrar a comissão. Os outros integrantes são Jefferson Peres (PDT-AM) – que disputou com Jader a presidência da Casa – e o corregedor-geral do Senado, Romeu Tuma (PFL-SP).
Nos 30 dias de trabalho, que poderão ser prorrogados por mais 30, caso haja necessidade, a comissão analisará se Jader mentiu sobre a participação dele no desvio de recursos do Banpará e a sonegação de impostos na compra da Fazenda Chão Preto. Além disso, vai apurar se ele recebeu propina de R$ 5 milhões para a liberação de verba em projetos da extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), o que teria ocorrido durante o exercício do mandato do peemedebista.

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