Comissão indica que Jader quebrou decoro
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sábado, 08 de setembro de 2001
Edson Luiz 
A comissão de investigação do Conselho de Ética do Senado já tem praticamente definido o conteúdo do relatório que irá pedir a abertura de processo por quebra de decoro parlamentar contra o presidente licenciado da Casa, Jader Barbalho (PMDB-PA). Os senadores não irão se restringir ao episódio dos desvios do Banco do Estado do Pará (Banpará), mas também citarão o desenrolar das apurações sobre a venda irregular de Títulos da Dívida Agrária (TDAs). A comissão está tão certa da abertura do processo que já planeja a pauta de audiências do Conselho de Ética.
Na comissão, há duas certezas: de que Jader foi beneficiado com os desvios e que o relatório não será concluído antes de quarta-feira. Diante das diversas ameaças veladas feitas pelo peemedebista, os senadores não querem correr o risco de dar chances de Jader rebater as acusações. ''A obstrução, a partir de agora, não será mais o passo principal, mas apenas um aditivo'', confirma o senador Romeu Tuma (PFL-SP), integrante da comissão. A decisão de mudar a conotação da acusação foi tomada em comum acordo entre Tuma e seu colega Jefferson Péres (PDT-AM), do grupo favorável à abertura do processo que poderá culminar na cassação do mandato de Jader.
Quando o relatório for apresentado, provavelmente na quarta-feira, os senadores já começam a definir a agenda de trabalhos. Entretanto, uma coisa já está praticamente acertada: todas as pessoas que se recusaram a depor serão convocadas, e não mais convidadas. Neste rol estão incluídos os ex-diretores do Banpará que evitaram falar ao senador Romeu Tuma, provavelmente por pressões do grupo de Jader.
Apesar da tendência de aprovação da proposta para processar Jader, os integrantes da comissão não têm dúvidas de que enfrentarão manobras regimentais do PMDB no Conselho de Ética com o objetivo de protelar a votação do parecer. O partido vai apresentar pedido de vistas para atrasar em uma semana a votação.
Neste caso, o parecer não deverá passar no conselho na quarta-feira ou quinta-feira da semana que vem, como querem o PFL e a oposição. Terá de ser marcada uma sessão do conselho para a outra semana a fim de que seus 16 integrantes analisem, finalmente, as conclusões sobre o caso Jader.


