Comissão Especial ouve hoje Guelmann e Vieira
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quinta-feira, 10 de maio de 2001
Luciana Pombo De Curitiba 
A Comissão Especial criada pelo governo do Estado para, oficialmente, investigar as escutas telefônicas clandestinas que atingem a imagem do Palácio Iguaçu vai ouvir hoje os depoimentos do secretário-chefe da Casa Militar, coronel Luis Antonio Borges Vieira e do secretário especial da Chefia de Gabinete do Governador, Gerson Guelmann. Eles foram chamados para prestar informações sobre a participação de ex-funcionários civil e militares em grampos particulares. Dentre eles, o cabo Luiz Antonio Jordão, o soldado Afrânio de Sá (ambos eram funcionários da Casa Militar) e o técnico em telefonia Gilberto Maria Gonçalves (ligado ao gabinete do governador). O cabo Jordão acusa Vieira e Guelmann de comandarem um esquema que grampeou secretarias de Estado e comitês eleitorais.
Ontem foram ouvidas as primeiras testemunhas do caso. A reunião durou mais de seis horas. Foram convocadas seis pessoas. Todas compareceram, mas apenas três prestaram esclarecimentos à comissão: Gonçalves e os ex-funcionários da Telepar, Edgar Fontoura e Jeferson Storrer (que teriam uma empresa de varredura, a Defense Consultoria e Segurança de Informações). Jordão, Sá e o advogado criminalista Peter Amaro de Sousa permaneceram em silêncio. Comecei a falar sobre as denúncias e o secretário José Tavares pediu para que a imprensa se retirasse. Eu não quis falar. Não reconheço a legitimidade desta comissão, disse Sousa.
Jordão afirmou na comissão que ratificava tudo o que já havia sido falado na CPI da Telefonia e que nada mais tinha a acrescentar. Meus advogados acham a comissão inócua. Fizemos o nosso papel em virmos aqui. Confio na Justiça, declarou ele. Sá não deu entrevistas à imprensa.
Gonçalves negou qualquer participação em grampos, mesmo no caso da Ocidental Distribuidora de Petróleo. Mas admitiu ter indicado Sá e Jordão para o trabalho. Para mim o envolvimento dos três funcionários no grampo comercial está claro. A impressão que fica e ainda não está provada é que este era um trabalho rotineiro deles. E o fato dos militares não falarem pode ser interpretado como culpa, analisou José Tavares, secretário de Estado de Segurança Pública e presidente da comissão.
Tavares não acredita no envolvimento dos ex-funcionários da Telepar no caso do grampo da Ocidental. São dois servidores qualificados da Telepar e que faziam serviços particulares para órgãos públicos como foi no caso de Roraima e privados. Nunca tiveram conhecimento de grampo em órgãos públicos, exceto na Secretaria de Estado da Administração, complementou.
Na segunda-feira, o instalador da operadora de telefonia GVT, João Batista Cordeiro, será chamado para prestar esclarecimentos. A comissão deverá dar um parecer final sobre o caso no final da semana que vem.


