Presidente e membros do grupo de estudos sobre a Sercomtel na Câmara Municipal de Londrina criticaram ontem a postura do relator da comissão, Jamil Janene (PMDB), que adiantou suas conclusões à imprensa antes da elaboração do relatório final. Jamil não estava no Plenário – chegou 30 minutos atrasado à sessão – quando três vereadores rebateram as declarações do colega, que condicionou a sobrevivência da Sercomtel Celular a um investimento mínimo de R$ 20 milhões.
  ‘‘É uma conclusão parcial do vereador (Jamil). Eu e os demais membros não entendemos isso’’, atestou o presidente da Câmara e do grupo de estudos, Sidney de Souza (PTB). Segundo ele, a comissão ainda precisa repercutir os impactos do novo regulamento da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) com os sócios da telefônica e, antes disso, não está apta a redigir o relatório final. ‘‘Queremos saber sobre a probabilidade de migração de clientes da Sercomtel para outras companhias. Como as novas regras foram implantadas essa semana, estamos dando um prazo mínimo para que os diretores avaliem’’, ponderou.
  Questionado se há algum consenso entre os membros da comissão, Souza acabou se aproximando das declarações feitas por Jamil. ‘‘Ou a Celular tem injeção de capital, ou aumento de faturamento’’, afirmou.
  Em entrevista à FOLHA na edição de ontem, o relator declarara que ‘‘ou a empresa recebe investimentos de R$ 20 milhões a R$ 30 milhões, ou terá que ser vendida’’. Segundo os próprios diretores da telefônica móvel, a empresa necessita de altos recursos para aplicar em novas tecnologias e competir no mercado.
  O vereador Gláudio de Lima (PT), outro dos cinco integrantes da comissão, disse que a informação divulgada por Jamil ‘‘é perigosa’’ e recomendou que o colega tenha ‘‘mais cuidado com o que fala’’. ‘‘A questão é complexa. Qualquer informação súbita pode ser verdadeira, mas fora de contexto pode atrapalhar a empresa e criar um clima desnecessário sobre sua saúde financeira’’, sublinhou.
  Também membro do grupo, Tercílio Turini (PPS) disse que a comissão está ‘‘num bom momento para chamar os diretores a conversar sobre políticas estratégicas da empresa’’ e que o grupo poderá fechar o relatório ‘‘daqui algumas semanas’’. No Plenário, Jamil se defendeu: ‘‘Faz dois meses que a gente não faz uma reunião. A sociedade, a imprensa e os próprios vereadores cobram uma resposta.’’

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