O governo criou ontem uma comissão de alto nível, formada por juristas, engenheiros e representantes de ONGs de combate à corrupção, para decidir o destino do prédio inacabado do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo. A União liberou R$ 264,9 milhões (valores de agosto/99) para a obra, mas R$ 169 milhões foram desviados e a obra, iniciada em 1992, não foi concluída. Laudo da Caixa Econômica Federal avaliou o esqueleto do prédio – que sofreu desgastes com o passar dos anos – em R$ 17 milhões.
Além de decidir o que fazer com o prédio, repassado pelo TRT à Secretária de Patrimônio da União no final deste semestre, os integrantes da comissão poderão investigar os mecanismos que permitiram o desvio de verba para a obra. ‘‘Existem várias investigações, mas se a comissão quiser fazer abordagens e questionamentos sobre o problema ela poderá fazer’’, disse o advogado-geral da União, Gilmar Mendes. ‘‘Todas as reflexões deitam luz e contribuem para que o fato não se repita.’’
Mendes reconheceu que a polêmica em torno do TRT levou o governo a criar uma comissão para decidir ‘‘qual o caminho mais adequado’’ para o prédio, símbolo de desperdício de dinheiro público.

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