Brasília - A Comissão de Ética Pública da Presidência decidiu ontem aprofundar as investigações e encaminhar um pedido de informações ao ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) sobre consultorias realizadas entre os anos de 2009 e 2010. A atividade levantou suspeitas de tráfico de influência, o que o ministro nega.
A maioria da comissão acatou parecer do relator, Fábio Coutinho. O voto decisivo foi do presidente do colegiado, Sepúlveda Pertence, que desempatou, votando duas vezes. O parecer sustenta que em casos excepcionais a comissão pode avaliar a conduta do agente público por fato anterior ao exercício do cargo. A partir da resposta de Pimentel, a comissão vai avaliar se é possível abrir processo ético.
''Sem fazer nenhum juízo de mérito por ora sobre as acusações correntes ao ministro do Desenvolvimento, resolvemos dar-lhe a oportunidade de se manifestar para que então possamos ajuizar se existe essa situação excepcional em que se justificaria a abertura de um processo, embora os fatos veiculados sejam todos eles anteriores a sua posse no ministério'', disse Pertence.
Os conselheiros Padre José Hernani, Roberto Caldas e Américo Lacombe se manifestaram pelo arquivamento e para encaminhar o caso para o Conselho Federal de Economia. O presidente da comissão evitou avaliar o caso. ''Passei os olhos no jornal muito rapidamente. O que eu fiz foi isso, quando se alegou que excepcionalmente poderia haver hipóteses em que fatos anteriores à assunção ao cargo eu resolvi não esgotar isso, até porque o ministro tem se manifestado que está atencioso para prestar esclarecimentos'', afirmou.
Convidado para explicar o caso de Pimentel na Comissão de Fiscalização da Câmara, Pertence afirmou que ainda não foi acionado, mas que está disposto a atender ao pedido.
A investigação de Pimentel na Comissão de Ética foi motivada por pedido do PSDB. Em entrevista à Folha de S.Paulo em dezembro, Pimentel disse que informou a comissão sobre seus negócios antes de assumir o cargo no governo. Pimentel, que é amigo de longa data de Dilma Rousseff, teria se afastado da empresa em 10 de dezembro de 2010, mas disse que não tinha falado sobre seus clientes, contratos e valores recebidos à presidente antes de tomar posse. Pelos serviços a empresas privadas, ele afirma ter recebido cerca de R$ 2 milhões.

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