A Comissão de Trabalho da Câmara de Londrina solicitou que a Mesa Diretora verifique possível quebra de decoro parlamentar na conduta do vereador Jamil Janene (PP). O motivo são as declarações dele nas sessões dos dias 20 e 25 de fevereiro, nas quais, segundo o ofício, o vereador diz que a comissão "visava, de maneira escusa, criar resistência à criação da CEI do Marco Zero".
O presidente da Câmara, Rony Alves (PTB), já determinou a degravação do áudio das sessões dos dias indicados para, posteriormente, ser encaminhada à Procuradoria Jurídica do Legislativo para verificação da admissibilidade. Também determinou o encaminhamento para análise da Comissão de Ética.
No ofício, a Comissão de Trabalho, composta pela presidente Sandra Graça (SDD), vice-presidente Elza Correia (PMDB) e o membro Gerson Araújo (PSDB), alega que as afirmações atentam ao decoro pelo uso de expressões ofensivas durante o uso da palavra e acusações a vereador de atos inverídicos, de acordo com parágrafos do artigo 8º do Código de Ética.
O motivo da "briga" entre Jamil e a comissão foi a retirada de pauta pelo autor do pedido de CEI, que investigaria a ausência de Habite-se e alvarás para os empreendimentos do Marco Zero. A retirada atendeu pedido da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil).
Quando o vereador decidiu suspender a votação, a comissão sugeriu apurar o motivo da demora nas liberações dessas documentações por parte da Prefeitura de Londrina, entre os anos de 2000 e 2013.
Em defesa da comissão, Elza negou ontem que a intenção da proposta seja prejudicar a criação da comissão de inquérito. "Isso não procede. É função da comissão permanente fazer análise dos alvarás e Habite-se porque fazem parte do trabalho do servidor público municipal", justificou.
Ela ainda disse que a CEI não foi aberta porque Jamil não quis levá-la a votação – o próprio vereador admite que não tinha os votos necessários para aprovação. "A comissão está fazendo seu trabalho e se sente desconfortável (com as acusações de Jamil)", disse.
Jamil negou que tenha ofendido qualquer vereador e disse que "não é obrigado" a concordar com comissão nenhuma. "Só falei que estão tentando desarticular a CEI. Quando tem um trabalho paralelo numa comissão da Câmara, isso vai acabar tirando a força da comissão de inquérito", afirmou.
Ele ainda disse que deve voltar a conversar com a Acil para colocar seu pedido de volta em pauta devido às "novas denúncias" de que a doação do Marco Zero não pode compensar áreas para praças, como está previsto, por ser área de proteção permanente (APP).

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