Desde o último sábado (5), está valendo a tarifa de 10% imposta pelo governo norte-americano aos produtos importados do Brasil. O “tarifaço” do presidente Donald Trump, que atingiu mais de 180 países, vem causando uma onda de reações mundo afora e derrubando diversas bolsas de valores.

Logo após o anúncio, uma das medidas adotadas no Brasil foi a aprovação da Lei da Reciprocidade Comercial (PL 2088/23), que autoriza o governo brasileiro a retaliar países ou blocos que imponham barreiras aos produtos nacionais, como é o caso dos Estados Unidos.

Para o deputado federal Filipe Barros (PL), que assumiu recentemente a presidência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara Federal, há margem para negociação com o governo Trump.

“A comissão pode fazer a chamada diplomacia parlamentar. Nós já iniciamos um diálogo com a Comissão de Relações Exteriores do Parlamento norte-americano e com autoridades do Departamento de Estado dos Estados Unidos buscando esse diálogo”, diz Barros em entrevista à FOLHA. Ele afirma que “o governo Lula não tem nenhum diálogo com o governo Trump”.

Sobre a aprovação da Lei da Reciprocidade Comercial, Barros lembra que o PL foi criado em outro contexto, em 2023, quando a União Europeia buscava impor barreiras comerciais ao agro brasileiro. Um substitutivo deu foco à questão comercial.

“Os Estados Unidos estão fazendo o trabalho deles, nós vamos fazer o nosso trabalho, que é se preocupar com a produção brasileira, seja a produção industrial ou do agronegócio, que o PT deveria ter feito e não fez”, reforça.

AEROPORTO

Outro tema que deverá ser tratado pelo colegiado é a instalação do ILS, o sistema de pouso por instrumentos, no aeroporto de Londrina. Indo contra as expectativas da cidade, o Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), órgão da FAB (Força Aérea Brasileira), sinalizou que o equipamento só deve ser homologado em 2027.

“Eu já estive com o comandante da Aeronáutica, falei da prioridade e da necessidade urgente de instalarmos o ILS em Londrina. Há o compromisso do comandante da Aeronáutica de avançar nesse assunto para termos uma definição e a instalação do equipamento ainda em 2025”, garante o deputado.

Uma comitiva de Londrina deve se reunir com a Aeronáutica para tentar alinhar a aquisição do ILS, que é uma demanda que se arrasta há décadas em Londrina. Trata-se de uma questão de vontade política e de orçamento, acredita Barros. “Existe uma série de demandas de outros municípios e precisamos colocar Londrina à frente desses municípios. Como sou londrinense e presidente da comissão, é o trabalho que estou fazendo.”

NA CÂMARA MUNICIPAL

De olho no crescimento do PL, o deputado afirma que a bancada da legenda, que hoje tem seis vereadores, pode aumentar na CML (Câmara Municipal de Londrina).

“Alguns vereadores têm me procurado buscando sair de seus respectivos partidos para se filiar ao PL. Já temos a maior bancada [ao lado do PP, também com seis cadeiras] e vamos aumentar ainda mais”, revela Barros. Como a próxima janela partidária será apenas em 2028, a mudança de partido somente é permitida com anuência da legenda.

A bancada do PL, inclusive, tem tido divergências em votações na Câmara de Londrina. Para o deputado, “é natural em uma bancada tão grande quanto a nossa”.

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